Pouca gente sabe ou pára para pensar sobre isto, mas a sobrevivência humana depende do trabalho dos rins. São eles que eliminam as impurezas do sangue, regulam a produção de glóbulos vermelhos e a pressão sangüínea e controlam a quantidade de líquidos e sais do organismo. Assim como filtros, esses órgãos trabalham para conservar o corpo livre de toxinas. Por isto, não é difícil constatar que, se eles não funcionam bem, a saúde fica comprometida e o corpo, sujeito a doenças.
Além de filtrar toxinas, estes órgãos desempenham importante função hormonal, aponta o urologista Agostinho Donizete. Segundo ele, os rins liberam um hormônio denominado eritropoetina, o qual ajuda na produção de glóbulos vermelhos do sangue e da medula óssea. “A falta deste hormônio pode causar anemia”, diz.
O controle da pressão arterial também depende dos rins, uma vez que eles controlam as concentrações de sódio e líquidos do organismo. Se os rins falham, a pressão do sangue pode se elevar e provocar inchaço, segundo informações da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Quando os rins não cumprem suas funções vitais, as toxinas se acumulam no sangue, causando diversos problemas para o indivíduo. Um exemplo típico deste desequilíbrio ocorre quando uma pessoa consome uma porção de carne. Em processo normal, o organismo absorve o alimento, que é metabolizado pelo fígado, responsável por extrair nutrientes e proteínas; depois, as substâncias ruins são encaminhadas para os rins, que as separam, filtram e “jogam” as impurezas para fora do sangue, por intermédio da urina.
Se os rins não trabalham de forma adequada, estas substâncias indesejáveis são metabolizadas pelo fígado e caem na circulação sangüínea, mas ficam “rodando” dentro do organismo, uma vez que os rins não conseguem eliminá-las. “Esta parte ruim são como lixos que permanecem dentro do organismo, causando doenças”, aponta o urologista Agostinho Donizete.
Uma vez sobrecarregados, os rins emitem vários sinais de alerta. Entre eles, dificuldade para urinar ou urinar em excesso, dores, palidez, problemas cardíacos, confusão mental e inchaço generalizado, além de uma série de sintomas que dependem do grau de evolução da disfunção renal. “Se os rins não funcionam bem, não eliminam líquidos e a pessoa começa a inchar. Além disto, ela pode ficar anêmica e pode ter náuseas e vômitos”, completa Donizete.
O advogado aposentado Ademar José Pavani, 62 anos, já sofreu com alguns destes sintomas há mais de duas décadas, quando teve cálculo renal, um dos problemas mais comuns que atingem os rins. Hoje ele está curado da enfermidade, mas conta que naquela época passou a urinar excessivamente, sentia mal-estar e tinha dores intensas na região abdominal.
O problema levou Pavani a procurar auxílio médico e iniciar um tratamento à base de remédios. “A dor que tive era insuportável. Algumas pessoas dizem que é pior doque a dor do parto”, diz. “Fui levado até o hospital e precisei ficar internado. Graças a Deus consegui eliminar as pedras nos rins”, observa.
Assim como Pavani, o número de pessoas que sofrem de doenças renais é muito grande. No Brasil cerca de 1,5 milhão de pessoas apresentam algum grau de disfunção renal, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Nos casos de cálculo renal ou nefrolitíase (popularmente conhecida como pedras nos rins), as crises não têm hora para ocorrer, explica o urologista. “O principal sintoma é a dor súbita, que acontece de repente e atinge a região lombar ou abdominal, podendo se irradiar para os testículos no caso de homens. Muitas vezes, elas estão associadas a náuseas, vômitos, sudorese fria e palidez”, detalha Donizete, ressaltando que caso tenha alguns destes sintomas, a pessoa deve procurar ajuda médica.
Se a disfunção for diagnosticada corretamente, o tratamento pode ser realizado à base de remédios que ajudam a expelir pedras de pequeno tamanho. “Em casos de pedras maiores, pode-se optar pela cirurgia para retirar o cálculo ou litotrepsia corpórea, método baseado em ondas magnéticas especiais”, explica o urologista.
Alguns distúrbios renais, porém, são mais graves e, se não tratados adequadamente, podem paralisar totalmente os rins, levando à perda das funções dos rins, ou seja, à insuficiência renal. O problema pode ser agudo ou crônico, explica Donizete.
Segundo ele, os agudos podem ser causados por diversos fatores, desde cálculo renal, hemorragias muito intensas ou doenças graves. Nestes casos, os rins podem parar de funcionar de maneira rápida, porém temporária. Já no quadro crônico, as funções renais podem ser irreversíveis. “As principais causas são as glomeronefrites (inflamações renais), além de diabetes, hipertensão e arteroesclerose”, diz o urologista.
Em se tratando de insuficiência renal, o tratamento inclui sessões de hemodiálise (“filtração” mecânica do sangue) ou por diálise peritoneal. De acordo com a SBN, a cada ano, aproximadamente 21 mil brasileiros precisam realizar este tipo de tratamento.