09 de julho de 2026
Regional

Santa Casa de Macatuba doa árvores para cada nascimento

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Macatuba - Diz o ditado popular que o homem para ser feliz precisa ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Para cumprir este último item, a Irmandade da Santa Casa de Macatuba (a 46 quilômetros de Bauru) dá uma ‘forcinha’, presenteando cada uma das mulheres que dão à luz na instituição com uma muda de árvore.

O ‘presente’ ofertado pela Santa Casa faz parte do projeto “Priorizando o parto humanizado”, uma idéia que nasceu em 2001 e já contabiliza 1.516 mudas de árvores distribuídas. Além da muda de árvore, as mães retornam para casa com um diploma de mãe com a foto do bebê e com a responsabilidade de plantar e cuidar da planta que deverá acompanhar o crescimento do recém-nascido.

O objetivo do presente, segundo a coordenadora administrativa do hospital, Sueli Rodrigues da Silva, é despertar as mulheres para a preservação do meio ambiente. “A árvore terá a idade do seu bebê e vai necessitar de cuidados e carinho”, diz o bilhete que acompanha o presente.

A muda, segundo as instruções do hospital, pode ser plantada em calçadas, sítios, quintais ou fazenda. “Nós adquirimos as mudas de plantas junto ao Cati de Pederneiras. Como o número é grande, o preço não ultrapassa R$ 1,50 a muda”, informa.

São mudas de árvores frutíferas ou não que deverão fazer parte da vida daquela criança, frisa a coordenadora. “Distribuímos mudas de diversos tipos; uvaia, figo, goiaba, entre outras.”

Na Santa Casa são feitos, em média, 33 partos/mês, mas nem todos são de moradoras do município, explica Sueli Silva. “Cerca de 20% dos partos são de pessoas residentes em Lençóis Paulista e Macatuba. Os demais são moradoras de outras cidades vizinhas, como Barra Bonita, Mineiros do Tietê e até de Bauru”, comenta.

Lição de casa

Carlos Eduardo da Silva Morieli tem 4 anos e 6 meses. Nasceu na Santa Casa de Macatuba e sua mãe, Márcia Soares, levou para casa uma muda de grumichama (arbusto próprio para ornamentação de alamedas e com fruto semelhante à cereja pelo tamanho e forma). A planta já está maior que o menino, mas entre os dois há uma relação de carinho, garante o avô Francisco Cardoso da Silva.

Orgulhoso do ato, o avô faz questão de frisar que foi ele quem plantou a árvore na calçada de sua casa, onde também mora o neto. Ele e Carlos Eduardo se incumbem de molhar a grumichama, que já tem por perto de 1,50 metro de altura.

Para a avó, Maria de Lourdes Soares da Silva, o presente é algo especial. “Minha filha ganhou um presente maravilhoso. Meu neto e a árvore estão crescendo juntos. Todo mundo da rua sabe que a árvore é do Carlos Eduardo”, conta.

Rosângela Maira Tavano Nicola tem 26 anos e experimentou a maternidade há apenas um mês. Como a família de Carlos Eduardo da Silva Morieli, ganhou uma muda de carambola que vai acompanhar o crescimento de sua pequena Natália Tavano Nicola. “Como a árvore vai ficar muito grande, eu mandei para o sítio de meu tio. Ele já plantou lá”, relata.

Ela pretende contar para a filha, quando ela puder entender, que a árvore foi doada no dia de seu nascimento e que vai acompanhar o ser crescimento.

No mesmo dia em que Natália nasceu, 29 de dezembro, veio ao mundo o menino Otávio Alves Garcia Francisco. A mãe, Dulcelene Alves Garcia Francisco, ganhou, mas não levou a muda. “Eles iam me dar uma muda de árvore grande. Como não tenho espaço, fiquei de voltar lá quando eles tivessem uma planta de porte menor”, diz.

A mãe pretende plantar a muda na calçada de sua casa, onde há um pé de limão que está condenado. “Acho interessante este projeto. A árvore vai acompanhar o crescimento do Otávio. Quando meu primeiro filho, Mateus, nasceu, há oito anos, ele não ganhou”, completa.