Lençóis Paulista – Os católicos freqüentadores do Santuário Nossa Senhora da Piedade, de Lençóis Paulista (a 43 quilômetros de Bauru) passaram a conviver, desde dezembro último, com a experiência sacerdotal do padre equatoriano Raul Carvajal, 69 anos.
Nascido em Quito, Capital do Equador, padre Raul foi ordenado em 1965 e atuou por quatro anos em sua terra natal até ser transferido para a paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Los Angeles, Estados Unidos. Nos 11 meses em que atuou junto aos católicos (latino-americanos) na paróquia dos EUA, o religioso conseguiu a proeza de ver o número de fiéis aumentar vertiginosamente.
“Tinha muitos mexicanos. Quando eles entenderam que havia um padre equatoriano ficaram felizes. Quando eu deixei a paróquia, as missas reuniam cerca de 1.2000 pessoas”, lembra o padre.
Depois de ter aprendido a língua inglesa em seis meses, Raul foi transferido para a Igreja San Basílio, no Centro de Los Angeles. “Tinha apenas serviços religiosos em inglês e eu fui chamado para criar o serviço em espanhol”, relata o pároco.
Por conta da grande demanda de fiéis, eram celebradas cinco missas diárias em inglês no local onde oito sacerdotes se revezavam na contenda. O padre passou a celebrar, então, missa em língua espanhola uma vez por semana, o que atraía mais de 1.500 fiéis aos domingos. “Era famosíssima esta missa. Todos os latinos-americanos achavam que esta missa era bonita e se propagou rápido com a presença de muita gente”, afirma.
Depois de oito anos atuando nesta paróquia, foi transferido para a região de Monterey, onde ficou por 15 anos trabalhando em outras paróquias. Ele conta que somente na paróquia Nossa Senhora da Assunção, em Monterey, ele trabalhou por 10 anos ajudando espiritualmente os filhos de imigrantes mexicanos, conhecidos como “chicanos”.
“Eles eram um pouco problemáticos com relação à nacionalidade. Não se consideravam nem mexicanos nem americanos. Por serem individualistas, muitos acabavam se envolvendo com drogas”, conta o religioso.
“Eu trabalhei muitos anos com os dependentes de droga e fui muito feliz porque eles respeitavam o sacerdócio, mas eu tive momentos difíceis quando ocorriam assassinatos. Eu estive em muitos velórios e funerais de vítimas da violência”, lamenta.
A aposentadoria do padre Raul chegou em 2000, quando resolveu voltar à sua cidade natal, em Quito, onde moram as suas quatro irmãs. A oportunidade para vir ao Brasil surgiu em abril de 2005, quando uma irmã religiosa do padre - que vive em um asilo em Lençóis Paulista - completou 50 anos de vida religiosa e convidou Raul para celebrar as suas bodas de ouro.
“Depois disso eu retornei ao Equador, mas o padre Carlos (pároco do Santuário de Lençóis) me procurou e insistiu para que eu viesse ajudá-lo”, conta Raul, que em dezembro do ano passado voltou à cidade para, desta vez, ficar por dois anos.
Raul disse estar entusiasmado com a organização do Santuário Nossa Senhora da Piedade, de Lençóis Paulista. Segundo ele, o local lembra muito as paróquias americanas, inclusive com a presença de corais, muito comuns nos EUA.
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Diferenças
Lençóis Paulista - A cultura de cada país influencia até mesmo na prática religiosa dos fiéis. Para o padre equatoriano Raul Carvajal, que atuou no Equador, Estados Unidos e mais recentemente no Brasil, em Lençóis Paulista, os homens católicos dos EUA são mais participativos do que os do Equador. Ele também estranha o fato de no Brasil os católicos crerem em várias religiões ao mesmo tempo.
Segundo o religioso, em sua terra natal, os homens são mais distantes da Igreja do que os americanos, que são assíduos freqüentadores. “Os católicos nos EUA são mais comprometidos com a religião. São mais organizados”, compara.
Ele também destaca o silêncio das missas e os corais das paróquias americanas. “As missas americanas são silenciosas, sem crianças. Porque no momento da leitura elas (as crianças) saem da Igreja com as catequistas e retornam depois da comunhão. É muita ordem e todos cantam junto com os corais belíssimos”, revela.
Por outro lado, ele lembra que nos EUA não é costume os padres visitarem as famílias em suas residências, como ocorre no Brasil. “A princípio eles não aceitaram bem (as visitas), mas depois concordaram”, relata o padre Raul, que gostava de fazer as visitas.