Eu até estava estranhando a demora, mas como diz o velho ditado “A (in) justiça tarda, mas não falha”. E começaram a defender Bauru e sua péssima gestão municipal atacando o elo mais fraco da corrente, ou seja, o povo. Acho que algumas correções devem ser feitas para que entendam melhor aqueles que estão criticando os buracos e a imundície em que se encontra a cidade. Em primeiro lugar, quando se critica o que está acontecendo em Bauru, não se está denegrindo a cidade, mas exercendo um direito sagrado da democracia, ou seja, emitindo a opinião sobre um assunto que nos diz respeito em nosso cotidiano.
Afinal de contas, pagamos impostos demais para termos de aturar governantes incompetentes que sequer prestam contas à sociedade dos seus atos. Quando se fala de sujeira não é aquela protagonizada pela falta absoluta de educação de uma minoria do povo e sim o mato crescendo em praças e demais logradouros públicos, responsabilidade de quem foi eleito para manter limpa e funcionando a cidade. Quando falamos de sujeira estamos nos referindo ao total estado de abandono em que se encontram nossas vias públicas, afinal quem tapa buracos com terra não é o povo, e sim a administração pública.
Aliás, para ser mais honesto, até a falta de educação é culpa de nossos governantes, pois cabe a eles destinarem verbas já previstas em leis para educar e conscientizar, o que na verdade não ocorre nunca. Exemplo clássico é o percentual das multas que deveriam ser destinadas para a educação do trânsito e que a grande maioria das administrações municipais não o fazem, por esse motivo que chamamos os radares de indústria das multas. É preciso que a cidade tenha radares, mas é preciso também que a sociedade saiba quanto é arrecadado por mês com as multas, para onde vai essa verba em detalhes e o mais importante como são contratadas essas empresas que colocam os radares nas cidades? É preciso também que sejam as avenidas asfaltadas decentemente, que suas sinalizações sejam melhoradas e que a velocidade das grandes avenidas seja compatível com o trânsito, pois andar na Duque de Caxias a 40km/h é muito estranho, pois em cima de uma usina hidroelétrica se pratica essa velocidade e a meu ver essa nossa avenida está longe de representar o perigo de uma usina.
A cidade de Sorocaba tem radares espalhados por toda cidade, entretanto, nas suas avenidas a velocidade é sempre de 60 ou 70km/h, o que é muito razoável e inteligente. É preciso que os fiscais limpem a cidade dos ambulantes que vendem produtos trazidos sem nota fiscal do Paraguai, gerando empregos no país vizinho e nos entulhando de porcarias sem pagar impostos. É preciso que os mesmo ambulantes estacionem seus veículos seguindo as mesmas regras que aqueles que pagam impostos e são obrigados a seguir as leis municipais.
Responsabilizar o povo pela sujeira e querer que não critiquemos uma gestão que nos passa a nítida impressão que nunca começou é um ato de covardia sem precedentes, pois a única responsabilidade que o povo tem sobre o prefeito eleito é de que uma pequena maioria o elegeu. E nem isso podemos criticar, pois em democracia nem sempre vence o melhor, se bem que neste caso, duvido que o derrotado teria feito melhor.
Rafael Moia Filho