08 de julho de 2026
Bairros

Aluguel é a principal despesa

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Pouco dinheiro no bolso e muita vontade de trabalhar. É nessas condições que a maior parte dos empresários da periferia de Bauru atua. Para montar uma loja de roupas na avenida Ayrton Busch, no Parque Santa Edwirges (zona noroeste de Bauru), Elisabete Martins Naba precisou fazer um investimento inicial de apenas R$ 200,00.

O valor foi referente à primeira parcela do aluguel do imóvel onde o negócio está instalado. “Eu tinha um estabelecimento na Bela Vista (zona oeste da cidade), mas acabei fechando. Para abrir esta nova loja, precisei apenas transferir meu estoque para cá”, explica.

O caso dela pode parecer atípico, afinal ela já possuía uma empresa devidamente instalada e contava, inclusive, com estoque de mercadorias para comercializar. Na periferia de Bauru, porém, não são raros os casos de pessoas que abrem negócios contando apenas com o dinheiro do aluguel para investir. Não por acaso, muitos empreendimentos têm seu futuro comprometido.

“Para abrir uma empresa a pessoa precisa dispor de uma certa quantidade de recursos, que permitam mantê-la funcionando enquanto os lucros não chegam. O problema é que muita gente se lança no mundo dos negócios sem ter essa noção e acaba quebrando”, explica o engenheiro mecânico Guilherme dos Santos, que possui MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.

Os empreendedores da periferia reconhecem que tais perigos existem, mas ainda assim preferem se arriscar, na esperança de garantir uma vida financeira mais estável no futuro. Em alguns casos, os sonhos são até mais modestos. Maria Helena Pereira, 45 anos, nem pensava em ascender socialmente quando, ao lado marido, montou uma padaria no Núcleo Gasparini, zona norte de Bauru, há cerca de três meses.

“A gente tinha um restaurante no Centro, só que o aluguel estava muito caro e precisamos fechar. Foi por necessidade que montamos esse negócio”, explica. Atualmente, os imóvel onde eles trabalham também não é próprio. “Só que aqui o preço é bem mais em conta”, explica.

Atualmente o casal paga cerca de R$ 500,00 ao mês de aluguel, quantia que pode parecer elevada para algumas pessoas. “Mas quando a gente tinha o restaurante na 1.º de Agosto, há dois anos, chegava a gastar mais de R$ 900,00 com imóvel”, garante Pereira, que ainda não consegue avaliar a rentabilidade do negócio.