Renato Martinelli e Casemiro Luis, depois de retornarem do treinamento militar em Cuba, acabaram por se desligar da Ação Libertadora Nacional - ALN - e por todos os meios tentaram levar junto o companheiro Márcio Toledo, não conseguindo. Acabaram por arrumar empregos em fazendas de Mato Grosso e para lá partiram com a intenção de ficar no aguardo de melhores notícias sobre o movimento revolucionário brasileiro. Certo dia, os fazendeiros de quem eram funcionários promoveram um lauto jantar para os militares do exército da região e escalaram os dois revolucionários para atuarem como garçons, e assim o fizeram, com tremedeira nas pernas, suor frio e com medo de serem reconhecidos pelos convidados.
Passados poucos dias, solicitaram demissão e resolveram retornar para São Paulo. Depois de muito viajarem, com troca constante de ônibus, buscando realizar percursos curtos para checarem se estavam sendo seguidos, pararam na Praça Machado de Mello, em Bauru, para a subida de novos passageiros. Casemiro desceu para comprar água e checar o ambiente. Retornou rapidinho e cochichou para Martinelli:
- Comigo está tudo OK. Mas lá no boteco tem um cartaz de “Terroristas bandidos procurados” com a fotografia do Clemente, do Lamarca e a sua. Fica quietinho aqui dentro e vamos torcer para o ônibus ir embora logo. Até hoje, o amigo Martinelli diz que teve a impressão de que a parada em Bauru foi de 15 horas e não minutos.
Antonio Pedroso Júnior - www.causosdo chinelo.blogspot.com