09 de julho de 2026
Geral

Semma fará campanha por uso consciente de sacolas plásticas

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Seria no mínimo assustador para o homem se ele pudesse contar, durante toda sua vida, desde o dia do nascimento até a morte, a quantidade de plástico que utiliza. O plástico está em quase tudo: nas embalagens, nos eletrodomésticos, nos brinquedos, utensílios domésticos, etc. É um material barato, mas que causa danos muito grandes ao meio ambiente.

Por isso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) está preparando uma campanha visando conscientizar a população de Bauru para não jogar sacolinhas plásticas em terrenos baldios e nas ruas.

O plástico demora de 150 a 200 anos para se decompor. Sendo assim, o homem tem dificuldade para descartá-lo de maneira correta. Jogado nas ruas, o plástico torna-se vilão. Tapa bueiros e suja a cidade. “Além disso, as sacolas de plástico podem acumular água e um animal pode acabar ingerindo-a”, ressalta o secretário municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho.

No Brasil, são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, matéria prima da confecção das sacolas plásticas, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A quantidade representa 9,7% de todo o lixo do País. O aterro sanitário de Bauru recebe cerca de 250 toneladas por dia. A quantidade de plásticos descartados é visível nas montanhas de lixo.

Os sacos plásticos estão entre os materiais feitos de plástico que o brasileiro mais usa em seu dia-a-dia. No supermercado, nas farmácias, lojas do comércio e até mesmo nas feiras livres, quase tudo é embalado para o consumidor levar para casa. Entre os bauruenses, a estimativa é que haja o consumo mensal de pelo menos 5 milhões de sacos plásticos somente nos supermercados de grande porte da cidade.

A estimativa foi baseada em dados fornecidos por um supermercado de grande porte, que fornece mensalmente 2,5 milhões de sacolas plástica aos seus clientes. Como na cidade existem cerca de 10 supermercados grandes, juntos eles forneceriam pelo menos 5 milhões de sacos plásticos. Isso sem contar com o comércio e as feiras livres.

O plástico filme, matéria-prima das sacolinhas tradicionais, é difícil de se decompor. “É muito material sendo jogado no lixo ou nas ruas todos os dias”, diz Roberto Pallotta, presidente do Instituto Vidágua. A entidade desenvolve projetos que objetivo de conscientizar os cidadãos sobre as questões ambientais.

Uma saída, na opinião do ambientalista, seria os brasileiros seguirem o exemplo de outros países. A Irlanda, por exemplo, foi a pioneira européia na tomada de medidas sobre a produção descontrolada de sacos plásticos ao introduzir, em 2002, um imposto que cobra do consumidor uma quantia financeira por cada saco distribuído. O dinheiro é usado para o desenvolvimento de projetos ambientais.

Mas, na opinião de Pallotta, a cobrança de impostos não seria a melhor saída para diminuir a utilização dos sacos plásticos. “Mexer no bolso do brasileiro com a criação de mais um imposto é complicado. Além disso, para onde iria esse dinheiro?”, pergunta.

Para ele, as iniciativas deveriam partir das empresas e dos próprios consumidores. “O consumidor poderia levar sua própria sacola para as compras. Já as empresas que se preocupam em usar materiais recicláveis saem na frente porque os consumidores preferem pagar um pouco mais e adquirir produtos que prejudiquem menos o meio ambiente”, argumenta.

Separar o lixo e descartá-lo em coletas seletivas também auxiliariam o meio ambiente, através da reciclagem.

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Sacolas biodegradáveis

Uma empresa fabricante de produtos fitoterápicos (à base de plantas) de Ribeirão Preto que possui postos de vendas em farmácias e drogarias resolveu abolir as sacolas plásticas convencionais no ano passado. A empresa distribui cerca de 1 milhão de sacolinhas por mês aos clientes e, agora, entrega sacolas biodegradáveis.

Durante a fabricação do plástico, é adicionado a ele um pó degradante que diminui a durabilidade do material. Desta forma, a degradação do plástico começa imediatamente após a manufatura e será acelerada quando for exposto a luz e ao calor. Assim, em 60 dias ele já pode estar totalmente decomposto.

Uma rede de supermercados de São Paulo que possui duas lojas em Bauru também tem um projeto pioneiro, mas ainda sem previsão de ser realizado na cidade. Segundo a assessoria de imprensa do supermercado, por meio de um aditivo importado da Inglaterra, adicionado durante a produção das sacolas, o plástico contido nelas se decompõe mais rapidamente na natureza. O aditivo é aprovado pelas normas européias para contato com alimentos e possui certificados e laudos brasileiros comprovando sua biodegradabilidade.

Outra saída é comprar produtos reciclados. É o que fazem os revendedores de frutas Rivelino Pedroso e Jorge Antônio Frederico. Na feira livre, os sacos plásticos reciclados são aprovados pelos consumidores. “O saco plástico reciclado é mais resistente e os clientes gostam muito. Além disso, é mais barato que o convencional”, diz Pedroso. Por final de semana, eles chegam a gastar 1,5 mil sacos. “Antigamente, os clientes vinham para a feira com suas próprias sacolas. Hoje, eles querem mais comodidade e até pedem para colocar poucas frutas por sacola. A maioria diz que usa os sacos para colocar lixo”, fala Frederico.

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Uso indiscriminado

Os consumidores entrevistados admitiram que usam a maioria dos sacos plásticos que adquirem nos supermercados, feiras e comércio para jogar o lixo doméstico. É o caso da doméstica Lourdes Martins. “Uso vários sacos plásticos por dia, mas é necessário. Não jogo fora aqueles que pego no mercado ou na feira porque uso para dispensar o lixo”, fala.

Antigamente, ela usava uma sacola própria para carregar as compras. “Não posso mais fazer isso porque sinto dores na coluna. Fica muito pesado carregar as compras em uma sacola só. Prefiro dividir o peso nas duas mãos para ficar mais confortável”, argumenta.

O casal Rosângela da Silva e Marcello da Silva também usou por muitos anos sacolas que levavam de casa. “Moramos no Rio de Janeiro e em São Paulo e freqüentávamos supermercados onde era raro ter sacolas plásticas. Não sentíamos falta porque trazíamos a nossa de casa”, conta Marcello. Depois que mudaram-se para o Interior, também mudou a rotina. “Os supermercados daqui têm bastante sacos plásticos. Uso uns seis por dia”, diz Rosângela.

O aposentado José Ferreira Gonçalves admite que exagera um pouco na quantidade de sacos plásticos que leva para a casa, mas diz que usa todos. Há pouco tempo, ele não sabia que o material poderia prejudicar os animais. “Vi quando uma vaca morreu porque comeu um saco plástico. A partir desse dia, percebi que pode ser perigoso se for jogado na rua”, conta.