Jacarta - Mais de 300 mil pessoas estão desabrigadas e 29 já morreram nas inundações causadas pelas chuvas que atingem Jacarta, a capital indonésia, há quatro dias.
Autoridades estimam que cerca de 70% - uma área de mais de 600 quilômetros quadrados - da cidade esteja submersa após transbordamentos de rios causados pelas chuvas.
“Pedimos que os moradores continuem em alerta, porque as águas podem subir mais, e com rapidez”, afirmou Sihar Simanjuntak, oficial que monitora os rios que cruzam a cidade de cerca de 12 milhões de habitantes.
O governo enviou equipes médicas em botes salva-vidas para os distritos mais afetados, em meio ao temor de que doenças se espalhem em meio aos moradores que vivem em condições precárias, com pouco acesso à água potável.
“Temos que alertar para doenças como febre tifóide, e outras que são transmitidas por meio de ratos e causam infecções respiratórias. Esperamos que não haja disenteria”, afirmou o ministro da Saúde Siti Fadilah Supari.
Alguns indonésios que vivem em regiões mais precárias tiveram que alugar carros e cavalos para serem removidos. “O governo é horrível”, afirmou Augustina Rusli, que ficou cinco dias ilhada no segundo andar de sua casa ao lado de filha de 10 meses, esperando que o nível das inundações baixasse. “Nós temos um vizinho que sofre de câncer, e ninguém veio resgatá-lo”, afirmou.
Responsabilidade
O governo de Jacarta alega não ser responsável pela pior catástrofe da história recente da cidade, dizendo que as inundações são um “fenômeno natural” que ocorre a cada cinco anos.
“Não há por que querer culpar alguém”, afirmou o governador Sutiyoso à rádio Shinta. “Eu fiquei acordado até as 3 horas da manhã tentando resgatar os refugiados”, afirmou.
As chuvas incessantes começaram a atingir Jacarta na última quinta-feira. Dezenas de milhares de casas, comércios e hospitais - principalmente em áreas mais pobres - ficaram submersas.