La Paz - Dois policiais saíram feridos ontem em La Paz do segundo dia de protestos de milhares de mineiros contrários a um plano do governo do presidente Evo Morales para subir os impostos do setor, em mais uma crise política envolvendo manifestações e bloqueios na Bolívia.
De acordo com o ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, “grupos radicalizados” de mineiros agrediram a golpes dois agentes e mantiveram “como reféns por poucos minutos” outros quatro policiais, além de reter duas motocicletas das forças de segurança.
Rada disse que essas provocações buscam “fazer fracassar o diálogo” iniciado ontem entre Morales e os dirigentes da poderosa Federação de Cooperativas Mineiras (Fencomin), no prédio da vice-presidência, centro de La Paz.
Como é costume nos protestos de mineiros, foram explodidas várias cargas de dinamite. O mineiros exigem a anulação de um projeto de lei que prevê o aumento de até 70% do Imposto Complementar à Mineração, apesar de Morales ter oferecido congelar a medida no caso das cooperativas, que têm cerca de 50 mil filiados e até recentemente eram consideradas aliados do presidente.
Segundo o governo boliviano, do mais de US$ 1 bilhão gerado pela exportação de minérios no ano passado, o fisco ficou com apenas US$ 45 milhões.
Ameaça
Ontem, Morales, ameaçou expulsar do país as multinacionais Shell e Ashmore, se for comprovado que os executivos de sua filial, a Transredes, cometeram sabotagem.
YBPF
A entrada em vigor de 44 contratos de operação que consolidam a nacionalização do setor de energia na Bolívia foi adiada por tempo indeterminado “por razões técnicas e operacionais”, disse ontem a estatal de petróleo boliviana YPFB.