08 de julho de 2026
Geral

Pichação será atacada com educação

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Investir na prevenção. Com esse objetivo, a Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Secretaria do Bem-Estar Social firmaram uma parceria para desenvolver ações educativas contra a pichação em Bauru. O projeto será divulgado no próximo dia 13, às 10h, em evento realizado no auditório da OAB. Para um ex-pichador em entrevista ao JC, será difícil acabar com a prática em Bauru. Já um artista do grafite defende a iniciativa e avalia que pichadores só precisam de oportunidade de expressão.

O presidente da OAB de Bauru, Caio Santos, explica que a reunião terá a presença de autoridades do município, além de instituições que lidam com os jovens em Bauru. “O objetivo é motivar toda a população, que é alvo das conseqüências da pichação. Uma cidade suja deixa de ter atrativos e começa a perder até oportunidades econômicas”, observa o advogado.

Segundo Santos, serão propostas diversas ações de prevenção. Um dos pontos de partida dessa iniciativa são as escolas da cidade. Quanto aos jovens que forem flagrados pichando, o advogado avalia que as melhores punições são as educativas. “Prestação de serviços, reparação de danos. Vamos preferir esse tipo de ação educativa”, explica.

Um dos convidados para o encontro, o delegado seccional Donisete José Pinezi, explica que a Polícia Civil já realiza trabalhos para evitar pichações na cidade. Ele aponta que cada Distrito Policial (DP) e também a Delegacia da Infância e Juventude (Diju) realizam trabalhos com bons resultados. No ano passado, o 2º DP deteve um jovem acusado de pichar o Núcleo Beija-Flor e Mary Dota. Em sua casa, os policiais encontraram material utilizado para a pichação, além de cadernos com fotografias e estilos de letras para pichar casas.

Cultura

Um ex-pichador, que preferiu não ser identificado, coloca dúvidas sobre a eficiência do projeto da parceiria. “O cara que sai para pichar, não vai mudar de idéia”, acredita. “Acho que o dinheiro desse projeto seria melhor utilizado em outras coisas”, diz. Já para o grafiteiro Everaldo Luiz de Souza, o investimento em oficinas culturais é a única saída para evitar pichações.

Ele começou a grafitar aos 13 anos, inicialmente em cadernos. Aos 16, passou a ilustrar muros de Bauru. “Incentivar oficinas de grafite é a única saída. Deu certo na Capital, em Ribeirão Preto e Campinas”, observa. Para o artista, que recentemente grafitou um poço do Departamento de Água e Esgoto (DAE) no Jardim Bela Vista, pichação reflete a falta de oportunidade dos jovens. “Eles não têm a abertura para conhecer outras formas de expressão. Não possuem incentivos, patrocínio para tintas, nem muros disponíveis”, avalia.

Por dois anos, Souza deu cursos e oficinas de grafite. “Nessas oficinas, eu percebi que o jovem que pichava, ao conhecer o grafite, abandonava a pichação rapidamente. Ele só precisa de uma forma de expressão e de reconhecimento. Quando ele faz um desenho e é elogiado, recebe esse reconhecimento”, avalia. Souza destaca que nunca pichou muros por ter conhecido logo cedo o grafite. E no painel que fez no poço do DAE, retratou a filha Ana Beatriz, de 9 meses. O departamento patrocinou o artista cedendo as tintas para o trabalho.

Egli Muniz, titular da Sebes, conta que a idéia das ações educativas partiu do prefeito Tuga Angerami (sem partido) e que a Secretaria da Cultura também participará da iniciativa. “O prefeito propôs esse projeto por estar preocupado com a questão dos pichadores em Bauru”. Muniz explica que será adotada uma linha de prevenção e mobilização social entre os jovens. “Faremos ações para que o jovem possa trocar a pichação por grafitagem, hip hop e outras expressões. Até para ter uma forma geração de renda e a aprovação social que busca quando picha um muro”, observa a secretária.