10 de julho de 2026
Política

Distritos têm livres 14 campos de futebol

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Os três distritos industriais bauruenses possuem juntos quase 119 mil metros quadrados de áreas livres - são 118.599,387 m2 - e disponíveis para doação a empresas que se interessarem em investir na cidade. O espaço levantado, que corresponde a cerca de 14 campos de futebol semelhantes ao do Esporte Clube Noroeste, integra um levantamento oficial feito pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para atender a um requerimento do vereador Primo Mangialardo (PV).

O distrito que possui maior área livre é o III, que conta com quase 60 mil metros quadrados - são exatos 59.157,507 m2 -, enquanto os outros dois, o Distrito Industrial I com 32.044,42 m2 e o Distrito Industrial II com mais 27.397,46 m2, somam 59.441,88 metros quadrados.

Apesar disso, a área não é suficiente para abrigar grandes empreendimentos. É o que revela Wallace Garroux Sampaio, secretário de Desenvolvimento Econômico, para quem os espaços serviriam apenas para a instalação de empresas de médio e pequeno porte. “Para empreendimentos de grande porte não é uma área suficiente, mas sim para os de médio e pequeno porte. Qualquer empreendimento de grande porte que surja para Bauru teremos de buscar outras áreas, que teriam de ser novos distritos industriais”, frisa Sampaio. E acrescenta: “Bauru é carente de espaço para crescer. Isso não quer dizer que não possamos receber empreendimentos de grande porte, mas teremos de buscar cessões de áreas por parte do governo federal ou estadual ou recorrer a desapropriações para poder atendê-los.” Por isso, o secretário conta que a Prefeitura já está fazendo um levantamento buscando novas áreas. “Temos algumas em vista, como as que são propriedades do Estado”, adianta.

No entanto, ele ressalta que uma ampliação em andamento no distrito industrial II já está praticamente com quase todo o espaço adicional reservado para novos empreendimentos. “Lá estão sendo agregados mais de 180 mil metros quadrados, mas cerca de 80% deles já estão comprometidos com quatro grandes novos projetos que já foram analisados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico (Cadem), mas que ainda dependem da regularização do distrito. Não estamos revelando porque ainda não está oficializado, mas são projetos de novas firmas e de ampliação de empresas bauruenses. Assim, apesar dessa ampliação, continuamos precisando de mais áreas para distritos industriais”, enfatiza Sampaio.

Atrativos

O vereador Primo Mangialardo (PV) concorda com o perfil citado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico para a ocupação da área livre dos distritos. Para o parlamentar, o espaço é suficiente para abrigar centenas de empresas médias ou pequenas. “Os pouco mais de 118 mil metros quadrados não são um grande parque industrial, mas hoje se fala muito em empresas que fazem parte da produção de outras. Quantas empresas assim não poderiam estar nessa área, além daqueles espaços que ainda não foram usados que o município pode retomar? Temos de fazer uma solução caseira, reunindo as forças bauruenses e que podem falar de Bauru para trazer gente para cá”, sustenta.

O parlamentar, que também integra o conselho da unidade local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), revela que levará as informações oficiais levantadas à próxima reunião da entidade, no dia 13, com o objetivo de discutir a participação do Ciesp na atração de eventuais empresas interessadas em ocupar as áreas vagas dos distritos. “O Ciesp já tem oferecido à prefeitura para ser o elo de ligação com a Capital. Assim, a prefeitura poderia convidar dirigentes do Ciesp de São Paulo para que possam ser propagandistas da cidade dizendo o que ela tem de bom”, salienta Mangialardo.

“De bom”, o parlamentar verde cita que Bauru tem vários atrativos, como um aeroporto de porte internacional, uma das melhores estações aduaneiras (Eadi) do País e uma malha rodoviária privilegiada, que permite acessar qualquer parte do Brasil com boas estradas. “Há muito tempo se fala que Bauru tem necessidade de agregar o setor industrial aos já fortes segmentos comerciais e de serviços. As empresas que estão em grandes centros estão sufocadas e querem migrar para regiões que são atrativas, como a de Bauru”, enfatiza o vereador.

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Ciesp surpreso

A informação de que há mais de 118 mil metros quadrados livres nos distritos industriais bauruenses causou surpresa em Ricardo Coube, diretor regional da unidade local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). “Realmente não era essa a impressão que tínhamos sobre a questão e me surpreende, pois temos tido enormes dificuldades para locar empresas na cidade porque sempre nos foi falado que há pouquíssimas áreas para abrigá-las”, considera. E complementa:

“Sempre que questionamos, as respostas oficiais era que não havia toda essa disponibilidade de área que, a priori, parece ser um espaço expressivo. Se esse número realmente for uma realidade, será possível locar muitas empresas de pequeno e médio porte.”

Apesar disso, Coube faz uma ressalva a respeito da área disponível nos distritos. “É preciso saber se tratam-se de espaços com possibilidades reais de uso ou se os mesmos apresentam problemas, como ser fundos de vale”, conclui o diretor.