11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Para Sinduscon, novo salário da construção vai causar desemprego

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Os trabalhadores da construção civil de Bauru e região estão ganhando o maior piso salarial do País. Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de Campinas elevou o vencimento da categoria em 6,01%. Com o reajuste, em vigor desde o mês passado, os operários enquadrados como qualificados (pedreiros, encanadores e eletricistas) passaram a ganhar, no mínimo, R$ 763,40, enquanto o piso dos considerados não qualificados (auxiliar, ajudante e serventes) passou a ser de R$ 620,40.

Os novos valores estão sendo questionados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) em Bauru, que julga o aumento incompatível com a realidade econômica das empresas do setor. Ralph Ribeiro Júnior, diretor regional da entidade, afirma que os novos pisos trarão conseqüências negativas ao setor, principalmente desemprego. “As empresas não têm condições de absorver esses valores. É um aumento abrupto, que coloca em risco a continuidade da atividade produtiva do mercado”, ressalta.

Ele também avalia que a informalidade no setor ficará maior em decorrência das demissões estimadas. Segundo ele, cerca de 65% dos trabalhadores da construção civil de Bauru trabalham sem registro em carteira. Apenas 5.100 profissionais da área, de um total de 13 mil, estariam na formalidade, conforme Ribeiro Júnior. “Essa é outra grande preocupação que temos. No ano passado, o município já sofreu retração de 8% no número de postos de trabalho dentro da construção civil”, diz o diretor.

De acordo com Ribeiro Júnior, o ganho real para os trabalhadores qualificados foi, na verdade, de 17,5%, já que o reajuste é retroativo a maio de 2006. Para os não qualificados, o ganho chega a 14%, segundo ele. Para minimizar o impacto do reajuste, o Sinduscon, apoiado por outras entidades sociais de Bauru, quer negociar um novo valor para o piso da categoria.

Ontem, em teleconferência, a direção do Sinduscon em Bauru e lideranças locais e o vice-presidente do Sinduscon em São Paulo, Sérgio Watanabe, decidiram que o setor patronal pretende iniciar as negociações o mais breve possível. Além disso, o Sinduscon já está recorrendo judicialmente para tentar suspender o reajuste.

“Nossa proposta é promover o aumento do piso de forma gradativa, e não da maneira que ocorreu. Concordamos que o trabalhador merece um salário digno, mas dentro das possibilidades das empresas”, destacou Watanabe.

Ele ressaltou que a situação do setor poderia ser melhor hoje se a taxa de investimento na construção civil, tanto do governo quanto do mercado privado, fosse maior. “Sem investimento, a construção civil fica estagnada. E Bauru está vivendo isso”, completa.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Bauru não foi encontrado para falar sobre o assunto.

Realidade

Para o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Ralph Ribeiro Júnior, deveria ser instituído à categoria um salário normativo de R$ 540,00. Segundo ele, esse valor é viável e compatível à realidade do empresariado da construção civil de Bauru.

“O desenvolvimento não chega em todas as regiões da mesma forma e ao mesmo tempo. Existem diferenças regionais de custo de vida. Por isso, precisamos negociar um novo valor e estamos dispostos a isso”, conclui.

Ainda de acordo com ele, muitas empresas do setor em Bauru já estão enfrentando dificuldades e sérios prejuízos para cumprir o novo piso da categoria.