09 de julho de 2026
Geral

Estabilidade e salário são principais atrativos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

É quase uma unanimidade. Quem presta concurso público está em busca de tranqüilidade financeira e garantia de emprego. Muitos estão dispostos a abrir mão até mesmo da profissão, para a qual estudaram vários anos, para conseguir uma vaga no serviço público. Tudo em nome da tão sonhada estabilidade.

A ex-empresária Maria de Fátima Cruz Ferreira Jorge Varalta, 38 anos, por exemplo, deixou para trás seu próprio negócio para se dedicar integralmente aos estudos. Depois de 5 anos trabalhando em uma loja de decoração e artigos para festa, Fátima decidiu baixar as portas do estabelecimento e ficar em casa estudando para a carreira de auditor fiscal.

Mas por que tomou essa atitude? “O salário é muito bom e ainda tem a estabilidade”, respondeu ela. Além disso, Fátima cita a pesada carga de impostos que os empresários, mesmo os pequenos, têm de carregar. E isso, na opinião dela, desestimula investimentos nessa área.

Diante de tudo isso, ela decidiu que quer ser funcionária pública. Na família, Fátima tem dois exemplos que servem de parâmetros para medir as vantagens e desvantagens dessa decisão. O marido é funcionário da Secretaria de Estado da Fazenda há 17 anos e sua irmã foi contratada recentemente pela Receita Federal para trabalhar como auditora fiscal no Rio Grande do Sul. Para Fátima, o sacrifício compensa.

Ela já prestou dois concursos para chegar onde a irmã chegou. Não conseguiu ser aprovada em nenhum, mas passou no concurso da Nossa Caixa. Não é o emprego de seus sonhos, mas se for chamada vai assumir a vaga e continuará estudando até alcançar seu objetivo.

“A concorrência está cada vez mais apertada, mas eu acho que não é impossível (ser aprovada como auditora fiscal)”, afirma Fátima, que estuda de quatro a cinco horas todos os dias, mesmo sem saber quando será o próximo concurso para auditor fiscal.

Na mesma situação estão os amigos Guilherme, Hélio e Eurico. Os três se reúnem todos os dias para estudar das 9h às 17h30 com apenas uma hora de intervalo para o almoço. À noite, eles estudam por conta própria, cada um em sua casa.

O objetivo dos três é o mesmo de Fátima: ser aprovado para o cargo de auditor fiscal, cujo salário pode chegar a R$ 10 mil. A remuneração e a estabilidade no emprego são apontados por eles como os dois principais atrativos para lutar pela carreira.

“Diante dos meus 40 anos de idade é importante que eu comece a buscar um serviço que me dê estabilidade”, justifica o administrador de empresas Eurico de Souza Mesquita, que passou metade da sua vida trabalhando com vendas.

A possibilidade de fazer planos financeiros a longo prazo e de não ficar pensando em ser demitido a qualquer momento, fez Eurico abandonar o antigo emprego para se dedicar exclusivamente aos estudos.

Assim como ele, o também administrador de empresas Guilherme Volpe Vitorino da Silva, 29 anos, abriu mão do emprego que tinha na unidade da Ambev em Jundiaí para estudar. Primeiro para concluir seu curso de mestrado na área de marketing, depois para se preparar para os concursos públicos.

O publicitário Hélio Bertonha Martins, 26 anos, não pensou duas vezes em largar a profissão apenas dois anos depois de formado. Segundo ele, o mercado publicitário é muito instável e restrito. “Mesmo quando se é jovem é difícil entrar nesse meio e quando entra é uma profissão muito arriscada”, diz ele, referindo-se ao risco do desemprego. “Eu prefiro algo mais seguro”, afirma ele, que há sete meses passou a “estudar pra valer” para passar em concurso público.

____________________

Disciplina

Para passar em um concurso público é preciso muita disciplina e força de vontade. Ainda mais se o cargo pretendido está entre os mais disputados. Para Anderson Mello Roberto, proprietário de quatro escolas de cursinhos preparatórios para concursos públicos na região, quem realmente quer ser aprovado não pode deixar para começar a estudar nas vésperas da prova. “Se o candidato deixar para estudar só depois da publicação do edital, vai ficar muito tarde.”

Segundo ele, seis meses antes da prova ainda é pouco tempo. E não basta freqüentar cursinhos. É preciso estudar bastante também em casa. Na avaliação dele, é necessário pelo menos um ano e meio de estudo para um candidato se preparar relativamente bem para um concurso.

De acordo com Roberto, se o candidato não for disciplinado nos estudos as chances de obter sucesso nas provas diminuem bastante. “O cursinho ajuda a direcionar os estudos. É indispensável estudar em casa também”, afirma. Ele lembra ainda que é preciso paciência porque nem toda aprovação significa contratação.