Brasília - O deputado Clodovil Hernandez (PTC-SP) pediu autorização à Câmara para reformar, por conta própria, o seu gabinete na Casa Legislativa. Ou seja, todos os gastos serão bancados por ele.
Clodovil contratou uma arquiteta para decorar o seu novo ambiente de trabalho. Apesar da ajuda profissional, o principal destaque da sala foi idéia dele mesmo: uma cobra naja de metal que servirá como base de apoio para sua mesa. A base dará a impressão de que a mesa estará flutuando, já que a peça - que imita uma cobra enrolada em coluna de metal dourado - vai sustentar o tampo de vidro. Foi o próprio Clodovil quem trouxe a “obra de arte” para Brasília.
O deputado disse, em entrevista à TV Cultura -logo após sua eleição - que a cobra se chama “Marta”. Questionado se era uma provocação à ex-prefeita Marta Suplicy - com quem rompeu relações -, Clodovil afirmou na ocasião que há várias “Martas” no País.
Outra mudança será na estrutura do gabinete. Clodovil mandou derrubar as paredes de compensado de madeira e colocou vidro jateado no lugar. A proposta é dar mais amplitude ao gabinete - que tem apenas 39 metros quadrados.
O deputado não informa quanto vai gastar com a reforma do gabinete, que será paga integralmente pelo parlamentar. O custo poderia ser zero se ele tivesse optado por recorrer à Câmara para fazer as mudanças. Mas neste caso, teria que se contentar com a decoração-padrão oferecida pela Casa. Mesmo mantendo o valor da reforma em sigilo, Clodovil sinalizou que não pretende economizar com a reforma. Ele já comentou que vai trocar toda a decoração do gabinete, mantendo apenas o piso original.
Outras reformas
Além de Clodovil, outros três deputados também pediram autorização à Câmara para reformarem seus gabinetes com verbas particulares: Ratinho Júnior (PPS-PR), Bispo Rodovalho (PFL-DF) e Gladson Cameli (PP-AC).
Rodovalho já executou a reforma em seu gabinete, que se tornou objeto de desejo dos demais parlamentares. O bispo trocou as paredes de madeira compensada por vidro. Ele disse que desembolsou R$ 800 com a mudança e garante não se arrepender do feito. “Acho que o gabinete tem que ser encarado como um escritório de trabalho. É importante que todos estejam se vendo enquanto trabalham”, justificou. O deputado também comprou uma mesa menor para sua sala por considerar que a oferecida pela Câmara ocupava muito espaço.
Ratinho Júnior não foi tão ousado quanto os colegas na reforma. Ele afirmou que apenas mandou retirar alguns armários da sua ante-sala que não seriam utilizados. “Vou colocar armário menores e pagarei do meu bolso. Também vou comprar um sofá para colocar na minha sala”, afirmou.
A reportagem procurou o deputado Cameli para comentar a reforma, mas ele não retornou os telefonemas. Há parlamentares que dispensaram a reforma, mas não o toque pessoal.