10 de julho de 2026
Bairros

Caráter social do evento será ressaltado

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Quando surgiu, em 2001, a partir de um encontro de associações de moradores, a Feira de Integração Comunitária das Administrações Regionais (Ficar) - o nome foi oficializado apenas em 2005 - tinha objetivo claro de ser um evento de caráter social, com foco quase exclusivo na geração de renda.

Desde que a feira foi devidamente formalizada, há quase dois anos, o número de artesãos engajados no projeto praticamente quintuplicou. Atualmente, as diversas barracas presentes ao evento vendem desde alimentos até verdadeiras obras de arte.

Apesar de importância que o aspecto cultural vem adquirindo nos últimos anos, as responsáveis pela Ficar não querem perder o foco. Elas pretendem investir ainda mais no caráter social do evento.

Sônia Maria Braz, 58 anos, vice-presidente da feira, quer colocar em prática uma iniciativa de marketing ousada. Ela pretende convidar algumas entidades assistenciais do município a tomar parte do projeto.

“No terceiro sábado de cada mês, as instituições de caridade poderiam ir até a praça Portugal (um dos locais onde a feira costuma ser realizada) e comercializar produtos. Isso seria bom para eles, pois obteriam uma boa fonte de recurso, e também seria vantajoso para nós, artesãos, pois em contrapartida as entidades ajudariam na divulgação do evento”, acredita.

A coordenação da feira ainda não teve oportunidade de apresentar a idéia às instituições de caridade. “Em todo caso, se alguma tiver interesse, pode nos procurar, pois temos espaço de sobra”, garante. Desde que a prefeitura anunciou o fim da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), no último dia do ano passado, os artesão vem tentando se organizar para evitar futuros contratempos.

Eles estão em via de criar uma associação de expositores da Ficar. “Isso é uma garantia de que a feira não irá ter um destino parecido ao da Sear”, pensa a presidente do projeto, Marlene Ferreira.

Tão logo a entidade saia de fato do papel, os responsáveis pela feira tentarão investir na capacitação de pessoas que atuam com artesanato de maneira informal. “Existem muitos autodidatas desenvolvendo trabalhos de qualidade ao redor da cidade. Se tudo der certo, vamos oferecer cursos, a preços viáveis, para que essa gente possa se aprimorar ainda mais”, diz Braz.

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Colcha de retalhos

Como todo artista que se preze, Sônia Maria Braz, vice-presidente da Feira de Integração Comunitária das Administrações Regionais (Ficar), é uma pessoa de personalidade forte. “Quem me conhece sabe que sou autoritária, por isso todo mundo me respeita”, assegura.

Tamanha firmeza não impede, porém, que ela demonstre extrema sensibilidade e paciência nos trabalhos que executa. Com a ajuda da mãe, Eunice, 78 anos, Braz gastou quase oito meses para desenvolver uma peça em patchwork (técnica para unir retalhos de tecidos).

A obra foi feita a partir 1.707 pequenos triângulos de pano, todos costurados à mão. “Demorou quase um mês para recortar isso tudo”, diz ela. Um serviço para lá de cansativo. “Tudo na vida é trabalhoso. Se você quiser que alguma coisa saia bem feita, tem de se dedicar”, pensa dona Eunice, que fala pouco, só o necessário, e é avessa a fotografias.

A colcha em questão não será vendida por menos de R$ 700,00. “Faço nesse preço por se tratar de Bauru. Se fosse uma cidade maior, onde as pessoas tem maior poder aquisitivo, certamente cobraria mais caro”, afirma Braz.