08 de julho de 2026
Bairros

Diversidade marca produção bauruense

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Carrancas do rio São Francisco, rendas da Paraíba, cerâmicas da Ilha do Marajó. Em todas as partes do Brasil é possível encontrar algum tipo característico de artesanato. Ou melhor, em quase todas. Em Bauru, por exemplo, não há um produto típico sequer.

Os próprios profissionais do meio admitem esse fato, apesar de que demonstram não estarem muito preocupados com isso. “Na verdade isso é uma vantagem”, acredita Gennarino Calabrese, coordenador a Ubá, feira de artesanato organizada pela Secretaria de Cultura de Bauru.

A razão para ele pensar dessa forma é simples. “Se você for ao Nordeste, na região do São Francisco, vai encontrar 200 artesãos, um ao lado do outro, vendendo carranca. Aqui, ao contrário, as exposições são muito mais variadas”, argumenta.

Além de concordar com Calabrese, a vice-presidente da Feira de Integração Comunitária das Administrações Regionais (Ficar), Sônia Maria Braz, vai além. Na opinião dela, os materiais desenvolvidos em Bauru têm qualidade superior aos de outras cidades.

“Nosso trabalho é tão bom quanto o de Embu das Artes (município da grande São Paulo, considerado um dos principais centros de produção artesanal do País), por exemplo. Para falar a verdade, em alguns casos chega a ser até melhor”, garante.

A afirmação pode até parecer bairrista, mas Braz faz questão de reforçar o argumento. “Já fui ao Nordeste e vi centenas de artesãos que fabricam carrancas. Nenhum deles, porém, era tão bom quanto um senhor que expõe aqui na Ficar”, assegura.

Assim como Calabrese, Braz considera a diversidade um ponto positivo do artesanato bauruense. “Facilita muito na hora de negociar. Imagina se todo mundo fosse tentar vender a mesma coisa? Comercializando produtos diferentes, todo mundo tem mais chances de ganhar dinheiro”, pensa.

O secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, é outro que vê com bons olhos a variedade existente no artesanato bauruense. “Nossa região, tradicionalmente, recebeu pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo. É natural, portanto, que a produção daqui seja variada. Se formos analisar, isso é um privilégio para nós”, afirma.

Atualmente a cidade conta com dois grandes eventos voltados ao artesanato. A Ubá, mantida pela Secretaria de Cultura, existe há cinco anos e conta atualmente com 104 expositores. “Inclusive, recebemos até artesão de outros municípios”, diz Calabrese, que mora na Vila Nipônica, zona oeste de Bauru, e trabalha com marchetaria (desenvolve peças em madeira).

A feira ocorre no parque Vitória Régia, no segundo domingo de cada mês, com exceção de maio e agosto. “Fazemos isso por causa do Dia das Mães e dos Pais. Artesão também têm direito de passar um tempo com a família”, brinca Calabrese. Nessas ocasiões, o evento costuma ser transferido para o primeiro domingo do mês.

Ubá é uma palmeira típica da região Nordeste. “Muita gente pensa, erroneamente, que é a sigla de União Bauruense de Artesãos”, esclarece o coordenador. O evento segue normas da Superintendência de Trabalhos Artesanais nas Comunidades, ligada ao governo do Estado.

“Para ser aceita na feira a pessoa tem de provar que desenvolve um produto de maneira integral, desde a preparação da matéria-prima até a montagem final”, explica Calabrese. O artesão é obrigado, inclusive, a fazer uma avaliação na Secretaria Municipal de Cultura, onde demonstra que é capaz de confeccionar o produto.

O outro evento existente atualmente em Bauru, a Feira de Integração Comunitária das Administrações Regionais (Ficar), tem critérios menos rígidos. “Nosso objetivo é a geração de renda”, diz Braz. Todos os participantes são indicados pelas associações de moradores de bairros.