Pedro Vieira Scocuglia foi campeão anteontem, em Santos, do Circuito Credicard de Tênis Juvenil. Voltou a Bauru para descansar, depois de uma maratona que incluiu o Circuito Di Santinni, disputado durante todo o mês de janeiro, em São Paulo, e o próprio Credicard. Ontem, estava saboreando seu descanso: treinando.
Nem bem chegou a Bauru, Scocuglia estava suando a camisa com um de seus técnicos, Roger Guedes, e já pensando no próximo compromisso, o Banana Bowl, que terá sua 37ª edição realizada de 12 a 18 de março, no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.
Scocuglia começou a jogar tênis aos 9 anos, depois de ver Guga na TV e se inspirar. O primeiro técnico foi Cláudio Sacomandi. Hoje, com 15 anos, ocupa o quinto lugar no ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) em sua categoria e acaba de conquistar seu primeiro título de um torneio do Grupo 1 (segunda série mais importante do calendário juvenil da CBT).
Agora, o tenista se prepara para dois desafios do Grupo A, a série mais importante: o próprio Banana Bowl e a Copa Gerdau, que será em Porto Alegre, também no próximo mês. Ambos os torneios integram o Circuito Cosat, a gira sul-americana de tênis infanto-juvenil.
O bauruense, que além de Guedes é treinado por Celso Sacomandi, vive uma puxada rotina de treinos, viagens e estudos e falou ao Jornal da Cidade sobre seu o título em Santos, estilo de jogo, adversários e do sonho de se profissionalizar.
JC - Como foi a experiência de jogar e ganhar um torneio importante, como o Circuito Credicard?
Scocuglia - Eu já tinha ganho dois torneios em nível nacional antes, mas não eram tão importantes como esse. Ganhei uma etapa do Circuito Di Santinni (Grupo 3), em São Paulo, e uma do Circuito Dunlop/Kswiss, no Paraná (Grupo 4). Mas o Credicard é um torneio Grupo 1 (segunda série mais importante no ranking da Confederação Brasileira de Tênis, atrás apenas do Grupo A, que tem o Banana Bowl e Copa Gerdau), eu até não esperava. Foi muito importante mentalmente para eu ver em que nível estava. Agora estou vendo que posso jogar com qualquer um, porque peguei muita confiança.
JC - A final em Santos teve quadra lotada, você já tinha jogado diante de um público tão grande? Qual a sensação?
Scocuglia - É muito diferente (do jogo com menos espectadores). Estavam filmando a final da categoria 18 anos, masculino e feminino. Daí, ainda ficaram algumas câmeras passando o meu jogo. Na hora pensei: ‘caramba, que pressão’ (risos). Quadra inteira lotada, mas eu esqueci tudo isso e foi bom.
JC - Qual seu próximo torneio?
Scocuglia - O Banana Bowl, daqui a duas semanas, em São Paulo. É em nível mundial, sei que é difícil, mas vou tentar ganhar. Vou começar a me preparar forte daqui a uns dois dias.
JC - Você conhece os adversários que vai enfrentar no Banana Bowl? Quem poderia ser apontado como favorito?
Scocuglia - Tem o José Pereira, de Florianópolis, que ganhou todos as etapas do Cosat (Circuito Sul-Americano) lá na Venezuela e Peru. E tem os venezuelanos, os argentinos, que também são muito bons. Mas favorito, favorito, não tem. Está muito nivelado.
JC - Qual sua rotina de treinos quando está em Bauru?
Scocuglia - Treino todos os dias e faço musculação três vezes por semana. Físico, treino duas vezes por semana. Faço drill (exercícios em que o professor coloca bolas em locais pré-determinados, para que o aluno aperfeiçoe um golpe ou ensaie jogadas) também duas vezes por semana. Fico uma hora com os professores e depois vou para o clube e passo a tarde jogando com outros alunos.
JC - E nos campeonatos, você se dedica apenas aos jogos ou dá tempo para treinar?
Scocuglia - Quando vou para os campeonatos, eu me concentro em cada jogo, porque, muitas vezes, são dois jogos por dia e fica difícil para treinar. Faço sempre um aquecimento antes dos jogos, corro, alongo. Mas me concentro sempre nos jogos, não muito no treino.
JC - O seu estilo de jogo é da escola de fundo de quadra ou saque-voleio?
Scocuglia - Sempre foi característica minha ficar no fundo de quadra e bater firme. Na verdade, são poucos brasileiros que se pode apontar no juvenil que vão muito para a rede. Meu jogo não é esse, é mais de ficar no fundo de quadra. Desde os meus 9, 10 anos, jogo assim, meus professores me passaram isso. Só que, a hora que der, tem que ir para cima, tem que ir para rede e atacar sempre. Foi o que eu fiz em Santos para ganhar. Joguei bem no fundo de quadra, fui para a rede quando precisava ir.
JC - Qual dos dois estilos você acha mais complicado enfrentar, os jogadores de fundo, como você, ou os que não dão ritmo, que sacam e sobem para a rede?
Scocuglia - Prefiro jogar com o cara que dá ritmo, que troca mais bola. Não gosto de jogar com o cara que saca e já sobe para a rede toda a hora, ataca demais, que erra ou acerta de uma vez. Se o cara está em um dia bom, mesmo não sendo muito bom, fica complicado.
JC - Como é que você concilia o dia-a-dia do tênis com os estudos? Qual fica em segundo plano?
Scocuglia - É difícil. Mudei de escola este ano e tive só um dia de aula. Já teve mais de três semanas de aula. Quando eu chego (dos torneios) tento, com a minha mãe, correr atrás para ficar sabendo das coisas e organizar o calendário. Se eu não for bem na escola, minha mãe não deixa eu viajar.
JC - E os planos para se profissionalizar?
Scocuglia - Sempre pensei no profissional. Sei que é muito difícil, porque a rotina, a vida do profissional é totalmente diferente do juvenil. A partir do ano que vem, vou tentar jogar torneios futures, para fazer pontos e conhecer o circuito. Seu eu estiver jogando um ótimo tênis, vou tentar fazer pontos na ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e jogar os principais torneios profissionais. Daí é sair do Brasil para jogar na América do Sul, que é mais perto, e começar a ir para a Europa.
JC - Você tem 15 anos e começou a jogar com 9, a “era Guga” o inspirou a praticar tênis?
Scocuglia - Exatamente. A primeira vez que resolvi jogar tênis foi quando eu vi o Guga jogar e pensei: ‘que esporte legal, vou começar a jogar’. Daí, peguei gosto.
JC - Como você vê a falta de tenistas brasileiros bem ranqueados hoje? Desmotiva quem está começando?
Scocuglia - Tem o Tiago Alves, o Flávio Saretta, que não estão bem agora. É difícil se inspirar em alguém. Mas o importante é pensar em você, se concentrar. Mesmo sem um ídolo agora a gente sabe que já teve o Guga e o Brasil pode ir para a frente.