10 de julho de 2026
Economia & Negócios

BNDES empresta 54% mais para as empresas de Bauru

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou mais dinheiro para empresas de Bauru no ano passado. Em comparação com 2005, o aumento foi de 54,14%. Os valores passaram de R$ 24,3 milhões para R$ 37,4 milhões. A maior parte dos empréstimos, segundo o escritório do banco em São Paulo, foi usada por empresas que aplicaram o crédito na compra ou renovação de frota de veículos. O órgão não precisou o número de contratos fechados, mas informou que as companhias emprestaram um total de R$ 23,8 milhões, o equivalente a 63% de todo o recurso liberado para o município.

Para José Miranda Simonelli, coordenador do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a constatação do banco faz sentido. Segundo ele, o movimento positivo no volume de investimentos liberados refletiu no aumento das vendas de veículos, especialmente de caminhões. “Esse crescimento se deu em âmbito nacional e Bauru e região não fugiram à regra. Hoje, o empresário precisa cada vez mais de crédito para renovar sua frota e continuar trabalhando”, analisa.

A avaliação de Simonelli é confirmada por Armando Volpe Júnior, gerente comercial de uma concessionária de caminhões de Bauru. Ele diz que mais de 90% das vendas foram feitas através de financiamentos do BNDES. “Vendemos 110 caminhões zero quilômetro em 2005 e 211 em 2006”, completa.

O Finame, segundo o escritório do banco, foi a modalidade mais utilizada pelos tomadores de crédito em Bauru. O recurso oferece financiamento, sem limite de valor, a micro, pequenas e médias empresas, que devem aplicá-lo somente na aquisição de máquinas, veículos e equipamentos novos nacionais ou como capital de giro. Pelo finame foram liberados R$ 28,9 milhões.

Volpe, da concessionária de caminhões, diz que os financiamentos através do Finame cresceram entre 120% e 150% na empresa, no ano passado. “Os juros desse programa são extremamente menores que os praticados pelos outros bancos, diferencial que cria uma condição favorável para as empresas comprarem. Sem falar que o sistema está bem mais simplificado”, ressalta o gerente.

De acordo com o BNDES, o restante dos recursos foi pulverizado, principalmente, entre os segmentos empresariais de comércio e bebida (R$ 785 mil), de agropecuária (R$ 553 mil), de atividades imobiliárias (R$ 327 mil), de transporte (R$ 230 mil) e móveis e indústrias diversas (R$ 135 mil).

As micro, pequenas e médias empresas tomaram R$ 21,7 milhões em linhas de crédito, se sobrepondo às grandes companhias, que financiaram R$ 15,6 milhões. “A expectativa para este ano é de que o volume de recursos liberados cresça ainda mais”, ressalta Linda Bergamini, assistente-administrativa do escritório do BNDES em São Paulo.

Para os empresários, a grande vantagem de tomar empréstimos do BNDES é a taxa de juros, que varia entre 1% e 3% ao ano – se destacando como uma das mais baixas do mercado, segundo o posto avançado do órgão em Bauru – e o plano de pagamento que é mais extenso, podendo chegar a 36 meses. Entretanto, para conseguir alguma linha de crédito do banco, a empresa precisa estar em dia com as exigências e contribuições fiscais.

Na opinião do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, os investimentos liberados pelo BNDES em Bauru deveriam ultrapassar a casa dos R$ 100 milhões. Para ele, a liberação maior de recursos contemplaria um número maior de atividades econômicas do município e, assim, incentivaria ainda mais o desenvolvimento.

Coube acredita que o acesso às linhas de crédito do BNDES ainda é restrito, principalmente por conta da burocracia. “São exigidas muitas garantias que dificultam o acesso das micro e pequenas empresas, o que burocratiza o processo”, analisa.

A assistente-administrativa do banco em São Paulo, Linda Bergamini, diz que o trâmite para conseguir o financiamento é trabalhoso porque as agências bancárias parceiras do BNDES também fazem exigências na negociação. “Além disso, muitas dessas instituições, antes de iniciar o processo, oferecem suas linhas de crédito aos empresários na tentativa de efetivá-los. Tudo isso, atrasa muito o trâmite”, conclui.

Para o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Ralph Ribeiro Júnior, os investimentos também são tímidos e precisam ser ampliados. Segundo ele, o setor é atingido de forma indireta pelos recursos do BNDES. “Não existem linhas (de crédito) específicas para a construção civil. As construtoras são beneficiadas apenas quando uma empresa, através de recursos obtidos com o BNDES, amplia suas áreas contratando os serviços das prestadoras”, comenta.