08 de julho de 2026
Turismo

Paisagens únicas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Em língua indígena, Cuyo (onde está Mendoza, Maipu, La Rioja e San Juan) significa “país dos desertos”. Mas é muito mais que isso por oferecer, além dos desertos de montanha e picos altíssimos eternamente nevados, paisagens únicas desenhadas pelo vento, rios perfeitos para a prática de bóia-croos e rafting que descem dos Andes, videiras carregadas de frutas doces, deliciosas, neve, sol e céu azul.

Uma região arqueologicamente rica por concentrar vestígios de culturas milenares – os incas estiveram por lá -, história de heróis e pioneiros, propriedades rurais com vestígios coloniais, modernos centros de esportes de inverno e vilas que remontam ao passado onde os turistas podem pernoitar e comer o melhor da gastronomia andina.

Para quem só quer avistar o Aconcágua de longe – a subida ao cume é só para experientes pois é árdua e extenuante –, a dica é praticar trekking bem abaixo de 5.000 metros na região do Parque Aconcágua, que fica a 180 quilômetros de Mendoza. A Laguna Horcones é a porta de entrada do parque que leva à Alta Montanha, ao Valle de Uspallata (se sinta um Brad Pitt lá), à Puente del Inca ( com falésias multicoloridas e que abrigou no passado um hotel famoso para o tratamento de doenças reumáticas) e ao mirante do Aconcágua.

O povoado onde está a “Puente del Inca” ou Ponte do Inca é um local místico, onde funciona uma feirinha de artesanato, há uma igreja de pedras, funcionava uma estação de trem e há uma série de alojamentos para quem vai escalar o Aconcágua.

Conta a lenda que um membro de uma tribo inca estava agonizando. Para se salvar, teriam seus compatriotas de atravessar uma ponte que nunca, antes, tivesse sido tocada. Ao cruzarem a Puente del Inca, o doente se recuperou, tornando-se um marco entre os povos andinos.

A ponte é espetacular, formada por uma imensa rocha, com falésias que vão do dourado ao amarelo intenso. Embaixo dela passa um riacho e ao lado podem ser avistadas ruínas de um prédio que abrigou, no passado, uma termal famosa com sauna e banhos quentes para a recuperação de doentes reumáticos. O hotel, contam os moradores, foi destruído por uma avalanche - que até hoje pode ocorrer na região, fechando todos os acessos ao parque que leva ao Aconcágua.

A viagem depois da ponte termina numa charmosa vilinha no sopé da Alta Montanha, com 9 quilômetros ainda mais sinuosos que conduzem o visitante até o monumento do Cristo Redentor (não abra de forma alguma os vidros do carro para tirar fotos, pois a altitude – 4250 metros - somada à areia – deixa qualquer um, mesmo os mais treinados e corajosos, sem fôlego).

Pelo caminho gelado são vistos esportistas dos mais diversos lugares do planeta – muitos acompanhados de cães treinados para percursos árduos em montanhas –, conduzindo bandeirinhas de seus países de origem. Nesta temporada, dinamarqueses, holandeses e norte-americanos invadiram a região.

Mesmo sem o fôlego desses “gringos”, que são sinônimo de superação e de força, chegando ao Cristo Redentor, mesmo que seguro dentro de uma Land Rover, levante as mãos para o céu e agradeça a proteção divina que te protegeu de todos os perigos nessa viagem entre penhascos, picos, rios e vales. Para ficar para sempre na lembrança.

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Dica

Uma vez na região, a dica é cavalgar na Estância “Tierras Blancas”, em San Raphael, que lembra o velho-oeste americano e onde os visitantes são recebidos com empanadas de massa crocante e os melhores tintos e espumantes de Mendoza. Lá, há cavalos mansos para passeios em grupo e que não metem medo nem mesmo em quem não sabe montar.

Além dos passeios diários, a estância oferece longas cavalgadas – para os mais experientes – que cruzam a fronteira do Chile e Argentina (no final e início do ano) com alojamento em pousadas, casas construídas na cordilheira e o melhor da gastronomia argentina.