Adhemar de Barros foi governador e prefeito de São Paulo. Tinha como amante uma misteriosa dama da sociedade. Quando ela ligava para o gabinete o secretário disfarçava: “Dr. Adhemar, é o doutor Ruy ao telefone”.
No início da ditadura militar, quando surgiram os movimentos de resistência armada, guerrilheiros urbanos comandados pelo capitão Lamarca ficaram sabendo, por um sobrinho boca-mole de madame, que havia um cofre na sua casa recheado de dólares e barras de ouro.
Resolveram expropriar o tesouro, “em nome do povo”, para ajudar a financiar a resistência. A audaciosa operação no apartamento do doutor Ruy foi uma operação de guerra bem sucedida. Rendeu 2 milhões de dólares que hoje valeriam dez vezes mais. Da tropa de assalto faziam parte o bauruense Darcy Rodrigues e a atual ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Adhemar de Barros também teve seus dias de Maluf. Uma vez foi decretada sua prisão preventiva por um juiz de primeira entrância. Acusação: desvio de uma urna (mortuária) marajoara do Museu do Ipiranga para sua coleção particular. Refugiou-se em Cochabamba, na Bolívia, enquanto seu advogado Oscar Pedroso Horta, que viria a ser ministro de Jânio Quadros, providenciava o hábeas corpus.
Derrubada a preventiva, Adhemar voltou fazendo “V” com os dedos. Topou com Pedroso Horta: “Não sei como lhe pagar tamanho favor” – disse Adhemar. A resposta do advogado veio pronta: “Depois que os fenícios inventaram a moeda, desapareceram os problemas para o senhor pagar os meus honorários”.
Contada por Zarcillo Barbosa