08 de julho de 2026
Geral

Teste assegura qualidade de combustível

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Todo mundo sabe que combustível adulterado é um perigo para a saúde do carro. Mas muitos desconhecem que todos os postos de combustível são obrigados a manter um kit para a análise instantânea do produto, sempre que solicitado por um cliente. No final de 2005 e início do ano passado, a operação “Olho na Bomba”, cassou a inscrição estadual de pelo menos três postos de Bauru que apresentaram combustível fora dos padrões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Ontem foi realizado no Obeid Plaza Hotel, uma palestra sobre controle de qualidade de combustível, oferecida por uma distribuidora. De acordo com Wonei Nardari, coordenador do projeto biodiesel da empresa, o objetivo do grupo é enfocar a necessidade da busca pela qualidade e metodologias aplicadas em fiscalizações. Também participou o especialista em regulação da ANP, Mauro Laporte.

Oferecida aos proprietários de postos e também a representantes das distribuidoras, a palestra tinha como objetivo apresentar e esclarecer as diferenças no combustível quanto à origem do petróleo e oferecer uma avaliação dos certificados de análise e diferenciação de um produto de boa do de má qualidade.

Nardari ressalta que a iniciativa é positiva para todos os envolvidos no comércio de combustíveis. “É bom para a empresa, que seleciona os concorrentes desleais; para o dono do posto, que vai ter tranqüilidade porque sabe da boa procedência do produto, e para o consumidor, que vai abastecer em estabelecimentos com a garantia de um produto da qualidade”, avalia.

O coordenador destaca que para se defender de combustíveis adulterados o consumidor pode utilizar de algumas ferramentas. “Toda vez que for abastecer, ele tem direito de pedir uma análise no posto. Na gasolina, o teste mostra se há excesso de álcool na mistura. Exigindo esse teste, o consumidor já pede o que é de direito. Se todos fizessem isso, já conseguem um padrão de qualidade na cidade”, assegura Nardari.

O Jornal da Cidade consultou 10 postos de combustíveis de Bauru na tarde de ontem para verificar se eles cumpriam a portaria 248 da ANP, que trata do controle de qualidade do produto. Em apenas um deles o atendente confessou que não possuía o kit para teste de combustível. Em outro estabelecimento, o funcionário afirmou que o posto tinha o kit, mas o responsável para proceder a avaliação não estava no local.

Outra dica do coordenador é sobre a nota fiscal. “Na hora de abastecer, a bomba deve conter o nome da distribuidora. E se a nota não apresentar o mesmo nome, já é uma irregularidade”, aponta. Aos proprietários de postos, o conselho é optar por distribuidoras já conhecidas. “E por um preço que condiz com a realidade do mercado. Se comprar muito abaixo, com certeza não vai receber um produto com muita qualidade”, observa Nardari. Para ele, os comerciantes são os principais responsáveis pela qualidade do produto. “Na minha opinião, dono de posto é 90% responsável pela qualidade do combustível que está repassando”, avalia.

Biocombustível

Outro ponto enfocado pela empresa em sua palestra é a adição de 2% de biodiesel no diesel normal. “Mantemos parceria com o pólo Nacional de Biocombustíveis da Universidade de São Paulo (USP). A nossa empresa é pioneira e distribui o biocombustível à base de sebo desde o ano passado“, conta. A distribuidora mantém uma usina em Ibaté, região de São Carlos, com máquinas 100% movidas a biodiesel para atender às empresas que exigem essa responsabilidade com o meio ambiente.