08 de julho de 2026
Regional

Promotor estranha morte de jovens

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Brotas - O promotor de Justiça de Bauru, Fernando Masseli Helene, considera que a morte dos quatro jovens por atropelamento na via férrea em Brotas (100 quilômetros de Bauru) é muito estranha. No entanto, Helene, designado pela Procuradoria Geral de Justiça para acompanhar as investigações, diz que não descarta nenhuma das versões.

“Estamos aguardando o desfecho da investigação policial e acompanhando para que se tenha lisura na fase investigatória. Por outro lado, dificilmente alguém não acordaria com 50 vagões chegando perto. Pelo menos um dos quatro acordaria”, frisa.

Crenilso Rogério Primo, 19 anos; Odair Sérgio Primo, 17 anos; Dênis Silva de Almeida, 16 anos; e David Roberto Vitório Mariano, 15 anos, moradores em São Carlos, estavam desaparecidos desde quinta-feira passada e foram encontrados mortos na madrugada do último domingo, no Km 196 da via férrea em Brotas.

Parentes das vítimas afirmam que os jovens foram assassinatos, contrariando a polícia que trabalha, em princípio, com morte por atropelamento. Eles estariam dormindo nos dormentes da linha e não ouviram a aproximação de uma composição com 50 vagões de carga que arrastou os corpos. O maquinista afirmou que acionou a sirene e sinalizou com a luz, porém os jovens não se mexeram.

Provas

Helene é taxativo ao ressaltar que se houve assassinato é necessário ter as provas do crime e, principalmente, quem praticou. Para o promotor, os 11 quilômetros de distância entre a cidade e o ponto na ferrovia onde os corpos foram localizados e os três quilômetros da porteira da fazenda Lagoa até a via férrea são fatores que colocam em dúvida a versão de que os rapazes foram mortos e seus corpos jogados na estrada do trem para simular um acidente.

“A fazenda é de produção de laranja e para você entrar tem uma fiscalização grande. Todo veículo que entra é pulverizado (higienizado contra pragas). Dificilmente alguém leva quatro pessoas mortas para um local tão distante se for a pé.”

Acompanhamento

O promotor esteve no lugar onde os corpos foram encontrados, já tem em mãos fotos da perícia técnica do local e dos corpos e obteve informações que constam no inquérito policial. Está acompanhando o trabalho do perito e do médico legista. Helene define como de extrema importância o resultado dos dois laudos que podem confirmar ou descartar a ingestão de álcool e o uso de drogas pelas vítimas.

O promotor já recebeu dos familiares dos jovens um pedido para que investigue as circunstâncias das mortes.

Ontem, a Polícia Civil em São Carlos ouviu os parentes das vítimas, que acreditam em assassinato. Até o fechamento desta edição, não foi divulgado o teor dos esclarecimentos apresentados pelos familiares.