08 de julho de 2026
Nacional

Preço do gás comprado da Bolívia sobe

Por Patrícia Zimmermann e Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o novo acordo firmado entre o Brasil e a Bolívia estabelece que o gás do país vizinho passará a ser remunerado por sua cotação internacional.

Ao lado do presidente Evo Morales, em entrevista no Palácio do Planalto, Lula também afirmou que o Brasil vai estudar novos investimentos na Bolívia, como um usina hidrelétrica binacional, uma usina de biodiesel e um pólo gás-químico. “Isso (a mudança no preço do gás) fará justiça ao valor do gás boliviano e atenderá o pleito do presidente Morales. Paralelamente acordamos que o governo boliviano tomará as providências necessárias para que os novos contratos em operação entrem em vigor nos próximos dias”, disse Lula.

Hoje a Bolívia vende a São Paulo cerca de 27 milhões de metros cúbicos diários de gás a US$ 4,30 por milhão de BTU (unidade de medida térmica). A Bolívia reivindicava que o Brasil pagasse cerca de US$ 5 por milhão de BTU.

Lula ainda não explicou quais serão os novos valores do contrato. Autoridades brasileiras e bolivianas estiveram desde anteontem reunidas em Brasília e os detalhes do que foi assinado deverão ser divulgados nas próximas horas. Lula disse apenas o acordo fechado garante “a estabilidade e a segurança indispensáveis para entrar em uma nova etapa de nossa cooperação energética”.

Além disso, ele afirmou que até abril o Ministério das Minas e Energia tomará as providências necessárias para viabilizar o aumento do preço do gás boliviano para a termelétrica de Cuiabá. Ontem os dois países informaram que o gás fornecido para uma usina termoelétrica de Cuiabá será reajustado de US$ 1,19 para US$ 4,20 o milhão de BTU. Esse reajuste será repassado para Furnas e futuramente será rateado com as distribuidoras. Para o consumidor brasileiro, deverá chegar um reajuste médio de 0,2% na conta de luz.

Lula também disse que o gás é um “fator decisivo de integração” entre as economias dos dois países e que vai continuar a ser o “carro-chefe de nossa associação”. O presidente afirmou que os dois países vão estudar a possibilidade de construir uma usina hidrelétrica binacional na fronteira com a Bolívia. Segundo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), essa usina ficaria no rio Mamoré, entre os municípios de Abunã (Bolívia) e Guajaramirim (Brasil), e teria potência de cerca de 3 mil MW.

Outros dois investimentos que serão analisados serão a construção de uma usina de biodiesel no país vizinho pela Petrobras e também a instalação de um pólo gás-químico na fronteira com os dois países. Esse pólo era o maior projeto da Petrobras com o país vizinho, mas foi suspenso com a decisão da Bolívia de nacionalizar os hidrocarboneto, tomada no ano passado.