Hoje já é Carnaval, e a procura por fantasias e peças para desfile foi inexpressiva em Bauru, que há seis anos não tem desfile de rua. Já prevendo a falta de clientes, lojas e armarinhos do ramo só tinham lantejoulas, metalóides, brocados e colares havaianos a oferecer para os foliões.
O fim dos desfiles no Sambódromo e a redução da freqüência dos bailes de salão desaqueceu o mercado de produtos para o Carnaval, comenta Paulo Henrique Soubia, dono de uma estabelecimento do ramo. “Esperava apenas vender artigos simples, que dão um brilho a mais à roupa e assim foi”, afirma Soubia.
Desde o final de janeiro, a expectativa do comerciante era que os clubes incentivassem as fantasias para que as vendas de máscaras, perucas e aplicações para os trajes existisse. “Já que não existe mais o Carnaval de rua em Bauru, apenas os clubes movimentaram um pouco as vendas” diz. Nesta linha, o melhor filão apresentado para a comercialização de artigos de Carnaval foi o das camisetas.
A procura por “transfers“ e camisetas para turmas é mais expressiva que a de fantasias. Soubia explica que as turmas se juntam em festas particulares, mas que até as mães procuram esse recurso para vestir os filhos no Carnaval, em lugar das tradicionais roupas de pirata, bailarina, baiana ou “pierrot”. “As crianças acabam vestindo short com uma aplicação e uma camiseta diferente”, completa.
O dono do armarinho salienta que uma tendência é a utilização desses acessórios típicos de Carnaval durante o ano em outros tipos de festas. É comum ver em formaturas, aniversários e até mesmo casamentos os marabus, colares havaianos e óculos coloridos. Dessa forma, empresas que eram especialistas em Carnaval voltam suas produções para esse tipo de adereços.
Manoel Lopes Panunto, proprietário de uma loja de fantasias, afirma que em seu estabelecimento a procura por fantasias foi pequena. “Ninguém mais quer investir em uma fantasia de R$ 150,00 e, quando investe, o cheque é voador”, comenta, referindo-se à inadimplência.
Por isso, ele não investiu em estoque de produtos de Carnaval. Panunto garante que o gasto foi pelo menos cinco vezes menor do que o dos anos anteriores. Espumas, buzinas, confete, serpentinas e adereços são os produtos que constam na lista de compras do lojista. “Fantasias, não”, afirma.
Mas o Carnaval não é a única data em que as vendas de trajes típicos decaiu. Panunto conta que durante as festas juninas e mesmo no Natal as vendas do ano passado chegaram apenas à metade das realizadas em 2005. Vestidos juninos e roupas de Papai Noel ficaram no estoque. “Se o governo não diminuir os encargos e não houver investimento, todos esses supérfluos vão desaparecer”, conclui.