São Paulo - A Justiça americana agendou para o próximo dia 19 de março o julgamento do casal de fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, detidos em Miami (EUA) desde o início de janeiro. Uma audiência preparatória para o julgamento (“pre-trial conference”) também foi agendada, para o dia 13 do mesmo mês. Os Hernandes foram detidos no aeroporto de Miami, no início de janeiro, por terem declarado incorretamente à alfândega norte-americana que não carregavam mais de US$ 10 mil cada.
O casal portava, entretanto, US$ 56 mil em espécie, no que a defesa do casal chama de “equívoco” na declaração de valores. Eles ficaram em um presídio federal em Miami e na Imigração, mas saíram sob liberdade condicional. Eles estão impedidos de deixar a Flórida até o julgamento do processo que corre contra eles nos Estados Unidos. No último dia 5, um júri americano acatou as acusações contra o casal de fundadores da Igreja Renascer, que alegou inocência.
Contrabando de divisas
Nos EUA, Estevam e Sônia foram denunciados por declaração falsa à alfândega americana e contrabando de divisas. No documento de acusação, os jurados americanos consideram que Estevam e Sônia “deliberadamente” e “intencionalmente” “conspiraram” e “se aliaram” para ocultar os dólares que superavam os US$ 21 mil declarados à alfândega ‘em artigos de bagagem e outros compartimentos’. Tanto Sônia quanto Estevam foram acusados em cinco itens - três por declaração falsa à alfândega, um por contrabando de divisas e outro por conspiração - com penalidade máxima de cinco anos de detenção cada uma.
A defesa do casal da Renascer sustenta que houve somente um equívoco na declaração de valores à alfândega americana e que Sônia e Estevam passam por um constrangimento “injusto e absurdo”. Brasil No Brasil, Sônia e Estevam são acusados de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no dia 25 de outubro informava que um ex-funcionário da Renascer, que se identificou como “J”, disse que o dinheiro arrecadado entre os fiéis era usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes. Assim, sobravam mais recursos para que as empresas do grupo comprassem bens.
Numa outra denúncia, o Ministério Público de São Paulo acusou os Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno de falsidade ideológica. Eles teriam montado uma igreja “laranja”, chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos. Segundo a denúncia, a igreja Internacional Renovação Evangélica, criada em 2004 por Jorge Luiz Bruno, não existe fisicamente. No endereço indicado na ata de fundação - rua Maria Carlota, 879, na zona leste de São Paulo - funciona um templo da Renascer.