Rio - Com distribuição de rosas brancas e faixas, o bloco carnavalesco Embaixadores da Folia fez um protesto, em seu desfile ontem à noite na avenida Rio Branco, contra a morte de João Hélio Fernandes, 6 anos, arrastado e morto após o roubo do carro de sua mãe. “Queremos protestar pela morte do menino e todas as vítimas da violência na cidade”, disse o policial Cláudio Cruz, presidente do Embaixadores da Folia.
No desfile pela avenida, o bloco aproveitaria a passagem pela igreja da Candelária para promover um ato contra a violência. Para esse momento, a banda preparou a marcha “Bandeira Branca”. “Sei que esse tema não combina muito com o Carnaval, mas estamos no Rio e não podemos esconder a situação que vivemos. Estas rosas servem para abrir passagem para um Carnaval de paz, o que todos desejam aqui”, afirmou Cruz, que distribuiu aproximadamente 2 mil rosas na concentração do bloco.
O protesto não foi apoiado por todos os foliões. “O Carnaval é sempre uma época para esquecer de tudo que acontece na vida real. Chegar aqui e deparar com esta trágica morte novamente é frustrante”, disse o comissário de bordo Milton Galante, 33 anos, que usava uma peruca rosa. “Gostei da idéia. Temos que protestar sempre”, disse a tradutora Gilse Castilho, 27 anos, que tomava cerveja com as amigas antes do início do desfile.
400 blocos
Mais de 400 blocos têm saída até domingo que vem pelas ruas do Rio. Alguns reúnem apenas dezenas de componentes outros atingem 100 mil pessoas nas ruas. Decano do Carnaval de rua do Rio, o Cordão da Bola Preta desfila desde 1918 sempre na manhã do sábado de Carnaval. A concentração hoje é na Cinelândia (centro), às 9h. No mesmo horário, sai em Santa Teresa o Céu na Terra, que sobe e desce as ladeiras do bairro ao som de marchinhas de Carnaval. Às 15h, será a vez da Banda de Ipanema, uma das mais tradicionais do Carnaval, com saída na praça General Osório, em Ipanema.
1 milhão de turistas
A Prefeitura estima que o Rio vá receber um milhão de turistas neste Carnaval. A taxa de ocupação da rede hoteleira está entre 85 e 90%, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih). A festa foi aberta oficialmente na manhã de ontem, com a entrega da chave da cidade pelo prefeito César Maia ao Rei Momo, Alex Oliveira.
O presidente da Abih, Alfredo Lopes, acredita que, por conta da diminuição da oferta de vôos internacionais para o Rio, a proporção de turistas brasileiros irá crescer este ano. Normalmente, 70% dos visitantes vêm de outros países; este ano, a relação entre brasileiros e estrangeiros deve ficar em meio a meio. “Este vai ser o carnaval dos paulistas e mineiros. Muitos vêm de carro ou ônibus, por conta do apagão aéreo”, afirmou Lopes.
Os últimos episódios de violência não deverão afetar o turismo no Carnaval, acredita. “O Rio é inoxidável, ultrapassa todos os problemas”. O prefeito César Maia concorda. “São dias de alegria, em que nós não esquecemos de nosso problemas, mas avançamos sobre eles.”
Depois de entregar a chave ao Rei Momo, ele declarou: “Este é um ato mais do que simbólico, é efetivo. A partir de agora, quem reina na nossa cidade é a alegria”. Ladeado pela rainha e as princesas do carnaval, o Rei Momo, eleito pela nona vez, endossou: “Eu não sou alienado e é claro que a preocupação existe. Mas vamos mostrar que o carioca tem vocação para a festa”.