Houve uma época que ser “gordinho” era sinônimo de ser saudável. Essa época passou, e cada vez mais existe a preocupação em manter uma alimentação saudável, sobretudo no período em que as crianças vão à escola, onde gastam grande parte da energia.
Convém destacar, no entanto, que a alimentação das crianças deve partir do princípio básico da nutrição. “Não adianta alimentar, é preciso nutrir. Isso é a base de tudo”, diz o nutricionista Cláudio Márcio Sakata, do Setor de Merenda Escolar da Prefeitura de Bauru.
Sakata é responsável pelo cardápio das Escolas Municipais de Educação Infantil Integrada (Emeiis), Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs), além das escolas do Estado. Segundo ele, os cardápios são formulados de acordo com as faixas etárias dos estudantes e do período em que permanecem na escola.
O nutricionista afirma que a merenda precisa combinar todos os nutrientes, para balancear a alimentação das crianças. Para ele não adianta focar apenas na qualidade do ensino, sem que haja preocupação com a alimentação das crianças, já que a merenda interfere diretamente na evolução do aluno. “É primordial ter uma boa alimentação para que se tenha uma boa evolução em termos de estudo”, diz.
Contudo, Sakata adianta que é fundamental a integração entre os pais e a escola, para que não haja conflitos alimentares. Não faz sentido a criança levar um salgadinho, se a escola oferece a merenda, preparada para suprir as necessidades dos estudantes.
A pediatra Maria Tereza Vera Mondelli faz coro ao nutricionista. De acordo com ela, é importante que haja essa integração entre pais e professores para não confundir a criança. “Não adianta ter uma alimentação saudável na escola, se depois vai chegar em casa e comer o que quiser, sem controle”, explica. Para a médica, a orientação deve ser feita para os pais, de forma que eles transmitam aos filhos e comecem a promover a educação alimentar dentro de casa.
Da mesma forma, a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen), afirma que é importante participar das decisões sobre a merenda que será servida aos alunos.
“Por ser diária e introduzida tão cedo na vida das crianças, a merenda escolar é uma das formas delas terem noções de alimentação saudável, cultivo e preparo de alimentos, e podem favorecer, ou não, a formação de bons hábitos alimentares”, diz Paiva.
De acordo coma médica, as crianças têm no leite materno o primeiro e talvez o último vínculo com o alimento caseiro. Muito cedo, elas passam a se alimentar nas creches e escolinhas, e por lá passam a maior parte do dia, longe da mesa de refeição de casa e dos hábitos alimentares de seus pais. Daí, seguem comendo fora, nas escolas, sem que seus pais possam influenciar em suas escolhas.
“Como podemos negligenciar o poder de tais refeições? Como podemos relegar a terceiros a formação dos hábitos alimentares das nossas crianças? Como podemos ajudá-las a criar um vínculo com os alimentos saudáveis, antes que elas se rendam à sedução do sabor dos alimentos industrializados?”, questiona a médica.