09 de julho de 2026
Articulistas

Segurança Pública


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A aprovação, pelo Senado, da lei que impede o corte de verbas destinadas à Segurança Pública pode ser encarada como positiva. Negativas, porém, são as atitudes do ministro da Fazenda, que quer continuar com liberdade para cortar, e do presidente da Câmara, o deputado petista-governista Arlindo Chinaglia, que ameaça colocar o projeto entre os de mais longa discussão e possível engavetamento. Constatar que o governo Lula aplicou, de 2003 a 2006, apenas 62% dos recursos orçamentários destinados à Segurança, induz a pensar que aí deve estar um dos pilares da escalada de violência brasileira dos últimos anos. Continuar negligenciando o setor, é inaceitável.

Recorde-se que o ex-governador Geraldo Alckmin vetou lei da mesma natureza, aprovada pela Assembléia Legislativa, e que São Paulo só não teve verbas cortadas porque, depois dos ataques de maio, Cláudio Lembo, sucessor de Alckmin, suspendeu o contingenciamento decidido no início do ano. Embora todos os compromissos financeiros de governo sejam prioritários, os governantes não deveriam esquecer que da segurança pública depende a vida de muita gente, até a deles próprios. Sem segurança também padece a economia, porque o empresariado não investe sobre incertezas. Quando o Estado não cumpre sua obrigação de segurança ou é incompetente ao cumpri-la, o banho de sangue é inevitável. Acontece o que hoje estamos assistindo, principalmente nas grandes cidades brasileiras. Em 1947, quando se mediu pela primeira vez a carga tributária brasileira, a soma dos impostos arrecadados era de 13,8% do PIB. Nos anos 60 chegou a 20% e hoje é próxima a 40%. Apesar da grande arrecadação, os governos atuais fazem o possível e o impossível para não cumprir suas tarefas. Deveriam explicar ao povo o que fazem com tanto dinheiro...

O autor, tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo