A análise dos resultados apresentados pela pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) mostra que a educação brasileira caminha rapidamente para o colapso, caso o governo não implemente políticas públicas que melhorem as condições de trabalho e, assim, consiga atrair novos profissionais. A conclusão é dos próprios pesquisadores.
A professora Vera Casério, coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade Fênix, reforça o alerta. Segundo ela, a procura por cursos de licenciatura (que formam professores) caiu nos últimos 15 anos.
Se não houver uma mudança significativa de rumo, ao fim de mais 15 anos, a preservação da carreira de professor estará ameaçada. “Do jeito que está, não tem como chamar a atenção dos jovens”, afirma Fábio Santos de Moraes, secretário-geral do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Segundo ele, o desencanto com a profissão é um reflexo da sala superlotada, da aprovação automática no Estado de São Paulo, que, na opinião dele, desmotivou professores, alunos e os pais, e principalmente é resultado do baixo salário pago aos professores. “Tudo isso leva os estudantes a não quererem seguir no magistério”, sustenta Moraes.
Na avaliação de Vera Casério, sem a valorização do professor não tem como o País dispor de uma educação de qualidade. De acordo com a coordenadora, os professores precisam estar sempre motivados para continuar com os estudos e manterem-se atualizados.
Para o dirigente da Apeoesp, é difícil para o professor manter a motivação diante do baixo salário, que o obriga a ter dois empregos. “Ele normalmente trabalha no Estado e no Município, ou também na rede particular ou então vende alguma coisa para ter um ganho extra.”
A dupla jornada, na opinião do secretário-geral, atrapalha o aprimoramento intelectual dos professores. Ele lembra que os cursos de atualização oferecidos pelo Estado, geralmente, ocorrem aos sábados. Segundo ele, é o dia que os professores têm para corrigir trabalhos e provas, para preparar as aulas da semana seguinte, preencher relatórios e cuidar da casa e da família.
“Não dá para ficar o sábado inteiro fazendo curso”, reclama. Segundo Moraes, esses cursos deveriam ser feitos durante a semana, dentro do horário de trabalho dos professores.
Para o coordenador pedagógico da escola Guedes de Azevedo, Roberto Pallotta, para que um professor tenha condições de formar um aluno de forma adequada, ele tem de estar sempre bem informado e ter boas condições de trabalho. Segundo ele, classes com no máximo 26 alunos seriam o ideal e é esse o critério que a escola procura seguir.
Pallotta diz estar preocupado não só com a queda no número de professores, mas também com a qualidade. “As faculdades ainda colocam novos professores no mercado de trabalho. O problema não é a quantidade, mas a capacitação desses profissionais recém-formados”, diz ele.
O alvo da crítica do coordenador é o ensino à distância, que tem sido usado para formar professores. “Nada substitui a presença de um professor”, afirma ele. De acordo com o dirigente da Apeoesp, houve uma expansão nos últimos anos do ensino à distância e dos cursos de fim de semana.
Segundo ele, a entidade não é favorável a esse sistema de aprendizado. “É lógico que ninguém é contra o uso da tecnologia, mas ela tem de fazer parte de um projeto presencial. Não tem como formar um bom professor se não for desse jeito”, declara.