O Carnaval brasileiro é famoso em muitos países do mundo. Milhares de turistas chegam ao Brasil nessa época do ano para assistir ao desfile das escolas de samba, no Rio, ou participar da folia nas ruas de Recife e de Salvador ou São Paulo. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, o Carnaval não é uma festa de origem brasileira. É uma festividade muito antiga que passou por várias transformações ao longo do tempo. Há milhares de anos, os agricultores que viviam no hemisfério norte organizavam festas para comemorar as boas colheitas. Dançavam e se mascaravam, imitando os animais. De forma alegre, os camponeses homenageavam seus deuses e procuravam se aproximar da natureza, que havia sido generosa, fornecendo - lhes alimentos. Essas comemorações ocorriam entre o final de dezembro e o início de janeiro, época do solstício de inverno.
Mas, com o surgimento da religião católica, elas foram proibidas durante algum tempo pela Igreja, pois desviavam a atenção dos fiéis de suas obrigações religiosas. Para relembrar aos católicos suas obrigações, o nascimento de Cristo passou a ser comemorado em 25 de dezembro, sendo o primitivo carnaval transferido para o sétimo domingo antes da Páscoa data em que acontece até hoje. Durante a idade média, as festas carnavalescas foram toleradas com muitos limites. O povo fazia sua festa de modo simples, dançando nas ruas. E as classes mais ricas da sociedade realizavam luxuosos bailes de máscaras, que tornaram tradicionais. Com o passar do tempo, as máscaras e fantasias foram se tornando populares e os limites impostos pela Igreja foram sendo abandonados. Então, o Carnaval se transformou numa grande festa colorida, barulhenta e muitas vezes violenta. Mas no começo do nosso século, os carnavais já haviam praticamente desaparecido da Europa..
Foram os portugueses que trouxeram o Carnaval para o Brasil. E foi graças à contribuição dos africanos que essa festa transformou-se num festival de danças e ritmos alegres e variados. O samba é uma dança originada no sembro ou umbigada, dança típica africana. Da mesma forma, o maracatu, o fricote e outros ritmos são contribuições de cultura negra. Até meados do século XIX, o Carnaval brasileiro foi muito violento. Jogava-se água, farinha, ovos, milho e até cabaças com água de cheiro nas pessoas. Mais tarde, surgiram os bailes carnavalescos e brincadeiras mais suaves, com as batalhas de confete e serpentina. Pouco a pouco, a fantasia tornou-se um dos aspectos mais suaves e importantes da festa. O bebê, o bate-bola, a caveira, o palhaço e o diabinho são algumas fantasias mais importantes e mais usadas pelos foliões que desfilavam em ranchos e cordões pelas ruas. Nos bailes dos clubes, as prediletas eram os pierrôs, arlequim e as colombinas, todas de origens européia. Feliz Carnaval! Para aqueles que gostam, é claro!
João Álvares