08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nós e os mercenários


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Há tempos venho assistindo, indignado, a reportagens feitas por canais de televisão sobre a revolta de alguns torcedores de futebol contra seus próprios ídolos e tenho notado que para essas emissoras os torcedores são sempre os culpados, os agressores, os transgressores. Isso é regra geral na mídia televisiva, mas principalmente na Rede Globo, onde descaradamente defendem com unhas e dentes os descasos desses pseudos ídolos. Todos, sem exceção, aparecem na mídia fazendo ostentação financeira, com roupas de grife, carros de ultima geração, casas maravilhosas com aspecto até cinematográfico. Mas quando entram em campo, não fazem por merecer esse tipo de vida paga, isso mesmo, paga com o dinheiro dos torcedores.

Não sou a favor de nenhum tipo de violência, física ou mental, contra ninguém, mas venhamos e convenhamos, muitos de nós, torcedores, fazemos uma economia até desastrosa para nossos lares, para em um final de semana podermos ir a um estádio ver nosso time e o que vemos quando estamos lá? Falta de profissionalismo, falta de interesse, falta de companheirismo, individualismo totalitário, culminando, isso tudo, em fracassos que nós, pobres torcedores, estamos financiando. Em nossa grande maioria, não somos pessoas de poses, mas fazemos o possível para irmos ver uma partida de nossos times, seja ele qual for. E o que estamos tendo em troca? Nada. Depois, quando um ou outro de nós perde a cabeça por ver seus esforços, sim, esforços, não correspondidos, acham que nós, torcedores, somos criminosos.

As emissoras nos tacham de vândalos, e teve até quem nos comparasse a terroristas. Penso que terroristas são os jogadores que recebem polpudos salários, direitos de imagens e outros benefícios que culminam com uma renda fantástica para qualquer padrão de vida brasileira, e não dão valor à fonte dessa renda: nós, torcedores. E por que teriam que se preocupar conosco? Eles têm as emissoras, formadoras de opinião pública, para defendê-los quando aparecem fazendo grandes ostentações de vida enquanto somos simplesmente humilhados por não termos o mesmo padrão de vida deles. Como não sou partidário de espécie alguma de violência, minha sugestão, para meus companheiros torcedores, é que deixemos de freqüentar os estádios. Deixem-nos jogarem, deixem-nos realizeram os jogos sem público. Veremos até quando eles aguentarão sem renda.

Paulo Sacconi Martinez