09 de julho de 2026
Geral

Cirurgia de laqueadura cai 19%

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A divulgação sobre os critérios para a realização de laqueadura na rede pública de saúde contribuiu para a redução de 19% no total de cirurgias feitas entre 2005 e 2006. No ano passado, 79 mulheres foram submetidas ao procedimento na Maternidade Santa Isabel. Um ano antes, foram 98.

Em 2006, no entanto, apenas duas das que procuraram a maternidade não se enquadraram no critério, que excluiu três em 2005. Segundo o Ministério da Saúde, só é permitida a esterilização em mulheres maiores de 25 anos e com dois filhos vivos.

A orientação já é passada no núcleo de saúde, informa Sérgio Henrique Antonio, diretor clínico da maternidade e diretor técnico do Ambulatório de Planejamento Familiar da entidade. É a unidade básica de saúde que encaminha a paciente para a maternidade, desde que os critérios sejam respeitados.

Uma gestante que aguarda o parto do segundo filho só poderá participar das palestras de planejamento familiar 42 dias após o nascimento do filho. É o caso, por exemplo, de Kelli da Silva Oliveira, que gostaria de aproveitar uma eventual cesárea para fazer a laqueadura. Como o desejo pode cancelar eventuais partos normais, além do futuro da criança ainda ser incerto, a rede pública evita cirurgias neste caso.

“Acho a laqueadura mais viável do que depender de remédio. Usei cinco anos anticoncepcional e engravidei”, comenta ela. Para se submeter ao procedimento, Kelli teria de desembolsar R$ 1,5 mil (valor solicitado por um médico do núcleo de saúde).

Trâmite

Mas se ela estivesse enquadrada no critério, receberia o encaminhamento da unidade de saúde.

Na maternidade, Kelli passaria por especialista, que lhe pediria exames como de sangue, urina, ultra-som e papanicolau. Na mesma data, seria avaliada por uma psicóloga e por uma assistente social. Posteriormente, sob agendamento, participaria das atividades do grupo de orientação.

Por fim, deveria retornar com os exames e, caso não houvesse contra-indicação temporária (anemia, pressão alta e diabetes, por exemplo), o caso seria avaliado e o procedimento autorizado por uma equipe multidisciplinar formada por ginecologista, urologista, enfermeira, assistente social e psicóloga.

Algumas mulheres desistiram do trâmite, que leva cerca de três meses, por terem engravidado novamente.

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Vasectomia

Desde 2002, a Maternidade Santa Isabel já realizou 670 cirurgias de laqueadura. No mesmo período, a quantidade de homens submetidos à vasectomia foi de 123. Ou seja, a proporção de laqueaduras em relação a vasectomias é de cinco para um, ressalta o médico Sérgio Henrique Antonio.

De acordo com ele, os homens têm resistência ao procedimento porque, erroneamente, acreditam que podem ficar impotentes, com dificuldade de ereção e até em dúvida sobre opção sexual.