A estabilidade conjugal está entre os quesitos avaliados pela equipe multidisciplinar que autoriza a realização de laqueadura pela rede pública.
A questão é relevante porque trata-se de um método contraceptivo de difícil reversão que, constantemente, provoca arrependimentos.
Mas apenas 5% das pacientes que fizeram a cirurgia conseguem engravidar após uma outra operação para religar as trompas. Neste caso, ela ainda corre o risco de ter uma gestação nas próprias trompas, informa Sérgio Henrique Antonio, diretor clínico da Maternidade Santa Isabel e diretor técnico do Ambulatório de Planejamento Familiar da entidade.
Quando isso acontece, entre a quinta e a oitava semana de gravidez, as trompas devem ser retiradas porque correm o risco de explodir e provocar hemorragia. A inseminação artificial é uma outra possibilidade para driblar a laqueadura.
O procedimento, no entanto, custa entre R$ 8 mil e R$ 10 mil na rede privada.
Médicos particulares também cobram de R$ 2 mil a R$ 3 mil para fazer a laqueadura, que pode ser feita de duas maneiras. Uma delas, denominada laparotomia, consiste num corte na barriga de cerca de cinco centímetros.
A outra, chamada videolaparoscopia, são três pequenas incisões de aproximadamente dois centímetros, por onde entra uma câmera.
Nos dois casos, as trompas de Falópio, que captam o óvulo do ovário, são cortadas. É na trompa que ocorre o encontro do espermatozóide com o óvulo, onde se dá a fecundação. De lá, o ovo segue para o útero. A interrupção do caminho via laqueadura é desaconselhada para pacientes sem parceiro, sem relacionamento estável, sem filhos e com problema de saúde.
Para elas, Antonio sugere outros métodos contraceptivos como pílula, DIU, preservativo e diafragma por exemplo.