Há coisas que gostaríamos de dizer ou fazer, mas não temos oportunidade ou coragem. Porem, é preciso que se diga ou faça, no momento oportuno. Em diversos momentos de nossas vidas, somos obrigados a adotar uma atitude. Mas o que significa “atitude”?
Podemos conceituá-la conforme nosso entendimento ou conveniência. Atitude é o modo de entender um fato e agir conforme o entendimento. É um propósito, ou o modo de manifestar esse propósito. É a reação ou maneira de ser, em relação a determinado fato ou pessoa. Por qualquer forma, o entendimento proporcionará a possibilidade de uma reação subjetiva ou objetiva.
A reação subjetiva ocorre quando, lendo, ouvindo, ou vendo, tomamos conhecimento de algo, seja uma idéia ou fato ocorrido. A nossa forma de entendimento sobre o que foi dado a conhecer, é fruto da nossa subjetividade, ou seja, poderá ensejar a nossa reação de várias maneiras: Susto; raiva; revolta; indignação; indiferença; ou compreensão.
A reação objetiva ocorre quando, tomando conhecimento de algo, deixamos extravasar a nossa sensação subjetiva, adotando, por um meio qualquer, um comportamento de interferência de cunho negativo ou positivo, conforme tenha sido o entendimento assimilado nessa ocasião. Há casos em que se diz “agir sem pensar”; significando que a nossa reação subjetiva foi impetuosa e instintiva, ultrapassando os lindes das nossas condições racionais.
Sabemos que pelo instinto podemos agir naturalmente em auto-preservação da incolumidade física, quando em perigo iminente. No entanto, há casos em que haja tempo e oportunidade para outros tipos de ação, sob a influência da razão.
Mas, não é somente nos casos em que nos deparando com o perigo, que possamos agir de forma insensata e instintiva, mormente quando ainda carregamos em nossa bagagem mental, um enorme ranço de preconceitos.
Interessante notar que muitos não gostam da proximidade de pessoas mal vestidas ou que não apresentem beleza física, dando mais valor à forma do que ao conteúdo. É como se uma caneca de barro não pudesse conter água mais pura do que a de uma taça de cristal!
Outros tantos preferem ouvir ou ler intensas laudatórias, sem compreendê-las, ao invés de valorizar a palavra simples e a escrita singela, sendo estas as que nos fazem pensar sobre a valiosa síntese de que, não raro, se constituem.
O respeito às diferenças é ignorado, pela flagrante rejeição à desigualdade e heterogeneidade, quer física ou conceitual, de cada criatura, ignorando-se a regra imutável de que não fomos criados iguais, mas semelhantes! Convenhamos, nossa atitude se revela pela nossa forma comportamental. Palavras, gestos, ou até omissão. Se nos comportamos de modo a agir, de forma positiva, apaziguando ânimos exaltados, transmitindo serenidade, esclarecendo dúvidas, por certo obteremos confiabilidade das nossas atitudes, ensejando-nos a oportunidade de orientar aqueles que se disponham a nos ouvir e seguir o caminho da edificação íntima.
Ao contrário, se nosso comportamento for no sentido de incentivar a discórdia e a dissensão, estaremos nos comprometendo, irremediavelmente, com as conseqüências de ações imprevisíveis ditadas pelas mentes que não receberam ou não assimilaram as regras de convivência pacífica entre as criaturas humanas. E estaremos deixando de lado um aprendizado importante e a oportunidade de bem elaborar nossa própria reforma íntima.
A omissão é sempre fruto da passividade. Desculpável sob a ótica da ausência de conhecimentos apropriados à intervenção pacificadora. Porém inaceitável se, presentes as condições necessárias, a indiferença consciente relegar as conseqüências a um destino não projetado previamente pelas criaturas envolvidas. Atitude, portanto, é ato comportamental pessoal, a fazer sentir os seus efeitos, pela sugestão transmitida a outras pessoas, pelos atos, fatos ou palavras. Convidemo-nos a um momento de reflexão íntima. Uma análise introspectiva, vigiando nossos pensamentos, por certo nos levará a uma renovação de atitudes, que muitos benefícios proporcionará a todos e, mais e principalmente, a nós mesmos.
João José de Lima (Jota) - OAB/SP 36.946