09 de julho de 2026
Internacional

Chanceler colombiana renuncia

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bogotá - A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Consuelo Araújo, renunciou ontem à pasta. A renúncia de Consuelo Araújo é mais um capítulo no escândalo da suspeita de envolvimento de políticos da base do governo do presidente Álvaro Uribe com grupos paramilitares de extrema direita.

No caso da ex-chanceler, as suspeitas não recaem sobre ela, mas sobre seu irmão, Álvaro Araújo. Membro da bancada do governo no Congresso, o senador Araújo e mais outros cinco parlamentares ligados a Uribe foram presos na semana passada, acusados de envolvimento com os “paras”.

A chanceler declarou que tomou a decisão de sair do governo. “Vou-me por uma razão: não sinto apego por nenhum cargo, mas pelos resultados que beneficiam a nação.”

No entanto a imprensa e a oposição colombianas já vinham pressionando por sua renúncia desde a prisão do senador. Além disso, seu pai e um primo - que é governador de Estado - também estão sob investigação.

O escândalo que está abalando o governo do presidente Álvaro Uribe consiste na investigação, pela Suprema Corte colombiana, de 14 parlamentares por suposto envolvimento com o grupo paramilitar AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia).

Uribe fechou no ano passado um acordo para a desmobilização das AUC, mas o tratado foi muito criticado por grupos de defesa dos direitos humanos, que acusam o presidente de ter sido muito benevolente com os paramilitares.

Segundo Carlos Gavíria, líder da oposição de esquerda ao governo Uribe, a demissão de Consuelo Araújo era “a única solução lógica para o problema”. Gavíria afirmou ainda que o governo “está se deslegitimando à medida que se descobrem nova ligações” entre governistas e paramilitares.

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Novas eleições

Bogotá - Os estragos que as acusações estão causando não acabam aí. A senadora Martha Lucía Ramirez, governista, apresentou ao Congresso proposta para revogar o atual mandato da Casa e convocar eleições para o próximo ano, antecipando o pleito em dois anos.

“A credibilidade do Congresso está ferida de morte por causa desse escândalo e, por isso, temos de chegar a um acordo para convocar novas eleições”, disse Ramirez. A idéia de revogar o mandato do Parlamento, no entanto, foi rechaçada pelo ministro do Interior e Justiça, Carlos Holguín Sardi. Os problemas para o presidente Álvaro Uribe não se confinam tampouco às questões políticas, estendendo-se também à esfera econômica.

A situação política já ameaça a cooperação econômica entre Bogotá e Washington. De acordo com o jornal colombiano “El Tiempo”, o “Paragate’’ - como os americanos já estão chamando o escândalo dos paramilitares, em alusão ao caso Watergate-, a aprovação do TLC (Tratado de Livre Comércio) entre os dois países está na corda bamba. O tratado ainda tem de passar pelo crivo do Congresso americano, agora de maioria democrata.

Tradicionalmente os democratas são contra a proliferação de tais acordos, pois entendem que eles fazem crescer o déficit comercial americano e acabam causando a “transferência” de empregos para o exterior.

Assim, o temor dos colombianos, em especial do vice-presidente, Francisco Santos, que esteve nos EUA na semana passada a fim de defender o TLC em encontros com políticos do Partido Democrata, é que a instabilidade política pese numa decisão contrária ao tratado no Congresso.

Além do TLC, o Plano Colômbia de assistência militar dos EUA no combate ao narcotráfico no país também precisa do aval da nova legislatura.