07 de julho de 2026
Auto Mercado

O número 1

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Ayrton Senna é o piloto mais rápido da história da Fórmula 1. Surpreso? A revista inglesa F1 Racing também não. É assim que a revista, uma das publicações mais conceituadas no mundo da velocidade, anuncia na edição de fevereiro o resultado de uma votação da qual participaram 29 pilotos do mundo todo.

Cada um dos pilotos fez um ranking dos 20 mais velozes de 1950 a 2006, com notas de 1 a 20. A soma das notas definiu os 50 melhores e apontou Senna como “o mais próximo tecnicamente da perfeição” que existiu na F1. No rastro de Senna, vêm Michael Schumacher (2º) e Jim Clark (3º). Alain Prost, com quem Senna travou eletrizantes duelos, ficou em 14º lugar.

A revista destaca performances do piloto brasileiro que até hoje considera “hipnóticas”, como a qualificação de Mônaco (1988) – um segundo e meio mais rápido que Prost – ou em Donington (1993), em que Senna se amalgamou ao asfalto molhado onde todos patinavam. “Não há registro de um piloto que tivesse pilotado um carro de corrida mais rápido, com tanque vazio e nos instantes finais da classificação”, afirma a F1 Racing, categórica.

Senna largou na frente em 40% dos 161 GP em que correu – 65 poles –, uma estatística que a F1 Racing associa a grandes momentos do esporte, como os 1.220 gols de Pelé. Não só pela rapidez, mas pela maestria com que Senna conquistava a melhor volta, a medida perfeita da velocidade absoluta. Tema de capa da revista, a reportagem ocupa 24 páginas e relembra os dez momentos mais rápidos da F1.

O tricampeão está em dois desses momentos. Na disputa milimétrica com Nigel Mansell, no GP da Espanha, Barcelona (1991), em que os bólidos da Williams e da McLaren quase “se enroscaram”. No GP de Mônaco, Monte Carlos (1988), onde na última tomada de tempos Senna marca 1m25s6, depois 1m24s4 e, finalmente, uma assombrosa volta de 1m23s998. Aquele fim de treino teria levado o piloto a outras dimensões:

“(...) Eu pilotava por instinto(...), parecia que o circuito todo era um túnel. Eu estava acima do limite, mas ainda conseguia ir além(...). Aquilo me assustou porque eu estava muito acima do entendimento da minha consciência. Acontece raramente, mas mantenho essas experiências vivas dentro de mim porque é algo importante para a auto-preservação”, desabafou Senna, à época.

Para o consultor editorial da F1 Racing, jornalista Peter Windsor, ser rápido é ver a curva completa na mente antes mesmo de começar a frear e virar o volante. É por isso que, segundo ele, Senna está no grupo dos pilotos que são “raros, surgem um a cada dez anos”. “Eles têm capacidade de concentrar energia; e são grandes atletas, com visão perfeita, equilíbrio, coordenação e timing”, destaca Windsor.

É essa marca mágica que não faz Senna sair do pódio, mesmo 13 anos após o acidente que interrompeu sua carreira. Em 2004, jornalistas, engenheiros, técnicos de escuderias e pilotos apontaram Senna o mais talentoso do automobilismo. A pesquisa foi publicada também na F1 Racing, que circula no Japão, Indonésia, Índia e em vários países da Europa, África e América do Sul, incluindo o Brasil.

No mesmo ano, a revista inglesa Autosport, divulgou outra pesquisa em que Senna aparece como melhor piloto de todos os tempos. Como diz a F1 Racing, “Senna não era apenas um piloto rápido. Ele redefiniu o conceito do que é ser veloz”, sentencia.