08 de julho de 2026
Nacional

Beija-Flor é campeã no Rio

Por Da Redação | Com Folhapress, Reuters e Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Deu Baixada Fluminense na cabeça. A Beija-Flor de Nilópolis é a campeã do Carnaval de 2007, sua quarta vitória neste século, e a Acadêmicos do Grande Rio, de Duque de Caxias, ficou em segundo lugar, com 0,4 ponto de diferença. Entre as seis escolas que voltam no sábado, para o desfile das campeãs (que será transmitido pela Rede Bandeirantes), três são do Rio: a Mangueira, que ficou em terceiro; a Unidos da Tijuca, quarta colocada, e a Unidos de Vila Isabel, que tirou o sexto. A quinta colocada, Unidos do Viradouro, é de Niterói.

Além da divisão regional, os jurados preferiram os desfiles convencionais. Beija-flor, Grande Rio e Mangueira vieram luxuosas e empolgadas, mas sem inovações. Já Tijuca, Viradouro e Vila, tinham alas e carros alegóricos coreografados, nada convencionais, o que empolgou o público, mas não seduziu os jurados. Essa tendência desmente o equilíbrio que se pensava ter havido no Carnaval de 2007. Afinal, entre a primeira e a sexta colocada, há uma diferença de quase 3 pontos, o que é raro nos concursos recentes.

A Beija-Flor de Nilópolis apresentou o enredo “Áfricas: do berço real à corte brasiliana”. Saudada como campeã pelo público durante o desfile, a escola só não levou cinco notas 10, em um total de 40 notas. A Beija-Flor abusou da plumagem de faisão em suas fantasias, que foi usado em seu acinzentado natural e com diversas colorações. Bambu, veludo, marfim e búzios também serviram de matéria-prima para a Beija-Flor, uma das mais requintadas a passar pela Sapucaí. Predominaram o azul e o branco na avenida - cores oficiais da agremiação. A esses tons acrescentou-se muito dourado.

O enredo da escola de Nilópolis exaltou os traços africanos do Brasil. A exuberância do continente, com seus animais e florestas, foram retratados no primeiro setor da escola. A África “baiana” também teve seu espaço, na homenagem aos terreiros de candomblé.

O carro abre-alas trouxe uma enorme réplica dourada em movimento da ave que dá nome à escola, à frente de dezenas de componentes carregando outros beija-flores. A idéia da escola foi apresentar as diversas Áfricas que se formaram pelo mundo a partir da migração - ainda que forçada - de seu povo. No fim do desfile, a Beija-Flor fez uma referência ao Rio de Janeiro, principalmente aos bairros da Gamboa e Saúde, que já receberam a denominação de “pequena África”.

A Beija-Flor foi uma das três escolas que recorreram à África com fonte de inspiração. Mesmo entrando na avenida quase às 5h da manhã, a escola contou com a empolgação das 70 mil pessoas que não arredaram pé da Marquês de Sapucaí.

A Grande Rio, com o enredo sobre sua cidade natal Duque de Caxias, ficou em segundo lugar, seguida pela Mangueira, que falou sobre a língua portuguesa. Estácio de Sá e Império Serrano foram rebaixadas para o grupo de acesso.

Unidos da Tijuca, Viradouro e Vila Isabel completam as seis primeiras colocadas, que voltam à Sapucaí no sábado para o desfile das campeãs. “É claro que todas mereceram, mas a Beija-Flor fez um excelente Carnaval”, afirmou o puxador da escola, Neguinho da Beija-Flor.

A rainha da bateria da Beija-Flor, Raíssa Oliveira, 16 anos, disse que está muito emocionada com a vitória da escola. Segundo ela, que saiu pelo quinto ano à frente da bateria, a comunidade trabalhou duro durante o ano inteiro e fez diversos ensaios. “Eu estava muito confiante na vitória, mas foi páreo duro, porque todas as escolas estavam maravilhosas, mas Deus ajudou a gente.”

A quadra da escola ficou lotada e as ruas próximas foram interditadas para que a população de Nilópolis pudesse comemorar mais um campeonato.

A apuração começou às 15h45, mas os presidentes das escolas chegaram antes, assim como as torcidas. As maiores eram da Beija-flor, na arquibancada à esquerda e a Mangueira, que ficou do outro lado.

A Unidos do Porto da Pedra, que vai e vem entre o Grupo de Acesso A e o Especial, manteve-se entre as grandes pelo segundo ano consecutivo, ao obter o décimo lugar, na frente da Mocidade Independente de Padre Miguel, uma escola que já teve campeonatos, mas não vence desde a morte de seu patrono, Castor de Andrade, em 1998.

O Império Serrano caiu pela segunda vez, exatamente no ano em que completa 60 anos, embora tenha feito um desfile correto. A Estácio de Sá lhe fará companhia no Grupo de Acesso A, pois ficou em 13.º e último lugar. A São Clemente venceu o Acesso A e desfilará entre as grandes no ano que vem.