09 de julho de 2026
Regional

Sorocabana não vai pagar médicos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Uma das alternativas que devem ser debatidas hoje para pôr fim à greve na maternidade do Hospital Regional Sorocabana em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) é o pagamento de um complemento ao valor recebido pelos médicos que seria feito pelo próprio hospital.

No entanto, o diretor administrativo do Sorocabana, Agostinho Gonçalves, antecipou ontem ao JC que descarta sumariamente o pagamento de qualquer valor complementar. “Nossa verba do SUS (Serviço Único de Saúde) está empenhada com outros pagamentos. Não vamos gastar um centavo além da nossa capacidade”, afirma.

Com a greve dos médicos do setor de obstetrícia do Sorocabana, iniciada no sábado, a maternidade do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu realizou 30 partos até ontem, um crescimento estimado em 50% no atendimento. Por mês, o hospital Sorocabana realiza até 120 partos. O trabalho médico é custeado pelo Programa de Assistência Materno-Infantil, convênio médico que envolve a Secretaria de Estado da Saúde, o HC e o Sorocabana.

Diferente da posição de Gonçalves, o superintendente do HC, Antonio Rugolo Júnior, defendeu ontem que o Sorocabana se responsabilize pelo complemento dos vencimentos médicos. “Temos que cobrar isso do Sorocabana porque era obrigação deles remunerar os profissionais da anestesia e me parece que eles (hospital) não estão fazendo.”

Para Rugolo, um acordo deve ser firmado hoje, equacionando o impasse. Ele entende que o valor solicitado pelos médicos não é grande. Também explica que os anestesistas firmaram um contrato com o Sorocabana para atender os casos cirúrgicos do hospital, menos os atendimentos da maternidade. Conforme Rugolo, eles atendem também os partos e recebem metade do valor nos plantões em feriados e finais de semana porque atendem à distância, ficando à disposição para eventuais chamadas.

Impasse

O impasse não se refere apenas sobre qual instituição vai arcar com os custos, mas se estende ao valor pago. Rugolo confirma que os médicos plantonistas recebem R$ 380,00 líquidos por plantão, com encargos sendo pagos pelo HC. Já Gonçalves diz que os médicos recebem apenas R$ 270,00 pelo plantão e querem a diferença.

“A gente reconhece também que a Unesp está com dificuldades financeiras. Não digo que os médicos não tenham razão em sua reivindicação, apesar que essa greve deveria ser de outra maneira. O que o hospital recebe do SUS é verba empenhada”, ressalta. Com receio de que apenas o Sorocabana fique como responsável pela greve, Gonçalves está disposto a mostrar as contas da unidade hospitalar.

Atendem no Sorocabana nove médicos obstetras, sete anestesistas e 14 neonatolosgista. São atendidas gestantes com algum risco. Para cumprir determinação legal, a maternidade do Sorocabana passou a manter um médico de plantão 24 horas para atender casos emergenciais enquanto a greve não tem um desfecho. Casos de menor complexidade vão continuar sendo transferidos para a maternidade do HC que já tem um volume grande de gestantes que recorrem à Enfermaria de Obstetrícia do HC da Unesp, que dispõe de 30 leitos e de três salas de parto, lotadas nos últimos dias.

Hoje pela manhã devem ser reunir Rugolo, Gonçalves, o diretor-técnico do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) em Bauru, Carlos Alberto Macharelli e representantes dos médicos.