Um churrasco aparentemente comum em Bauru acabou com 14 pessoas encaminhadas à delegacia na madrugada de ontem. Entre os participantes, estavam moradores da Praia Grande, de São Paulo, um agente de segurança da antiga Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) – atual Fundação Casa -, uma adolescente de 16 anos e pelo menos dois suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PPC), facção criminosa responsável por ondas de violência em São Paulo no ano passado – um deles fugitivo da cadeia de Getulina.
A suspeita da Polícia Militar (PM) é que o grupo planejava um grande assalto ou deslocamento de droga. A festa ocorria numa casa com piscina da quadra 13 da rua Ory Pinheiro Brisola, Vila Industrial, local onde, além de grande quantidade de bebida, os policiais encontradas porções de maconha e pedras de crack escondidas em dois veículos, numa moto, em tomadas de energia e quartos da propriedade.
Em uma moto CG prata, com placas de Bauru, também foram localizadas porções de maconha. O proprietário do veículo, Carlos Henrique Marciano da Silva, agente de segurança da unidade de Vila Maria da Febem, em São Paulo, negou ser o dono do entorpecente.
“Um agente de segurança, que trabalharia do lado da lei, não deveria, em hipótese alguma, estar do lado contrário, convivendo num ambiente com envolvidos no crime organizado e fugitivos da cadeia”, destaca o capitão Jorge Duarte Miguel, coordenador operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPMI).
De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação Casa, após a investigação policial, e posterior notificação do órgão, será instaurada uma sindicância interna na Corregedoria da entidade para serem avaliadas as possíveis atitudes que serão tomadas. Caso exista provas suficientes do envolvimento do funcionário em atividades ilícitas, ele será demitido.
Dentro de um dos automóveis do grupo, um Golf preto com placas de São Paulo, a PM localizou vestígios de um pó branco, possivelmente carbureto, utilizado em maçaricos. Caso seja comprovada a substância, existe a possibilidade do envolvimento de alguns membros do churrasco no furto à agência da Nossa Caixa Nosso Banco da Bela Vista, durante o Carnaval.
Levados à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), foram presos por tráfico de drogas e associação para o tráfico Calos Henrique Marciano da Silva, 29 anos, Cleberson Sales Lopes, 25 anos, Janderson Alexandre Xavier, 32 anos, Cristian Gomes dos Santos, 24 anos, Marcos Alexandre Machado, 22 anos, Renato Souza Rocha, 22 anos, Márcio Lino de Oliveira, 22 anos, morador da Praia Grande, e Marcos Aurélio Fernando Barga. Marcos Aurélio era fugitivo da cadeia de Getulina, onde cumpria pena por tráfico, associação para o tráfico e homicídio.
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A operação
A Polícia Militar chegou ao churrasco após um telefonema anônimo, no qual o denunciante descreveu com riqueza de detalhes uma reunião entre membros do crime organizado. No local, uma casa com churrasqueira e piscina que é alugada para eventos e já foi palco de um homicídio em 2005, os policiais encontraram o portão aberto e não tiveram resistência em vistoriar o local.
Os 14 participantes do encontro alegaram que estavam apenas se confraternizando e não deram detalhes sobre o motivo da presença de pessoas de cidades distantes, como São Paulo e Praia Grande, no litoral paulista. À reportagem do JC, eles alegaram que nenhuma droga encontrada pertencia aos participantes da festa.
De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a polícia está atenta a toda movimentação de possíveis envolvidos com o crime organizado em Bauru e, até ontem, não haviam informações concretas a respeito de possíveis reuniões na região.