10 de julho de 2026
Regional

Detentos da região de Araçatuba aderem à ‘greve’ em prol de líderes

Por Juliano Silva | Folha da Região, especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araçatuba - A adesão dos presos à chamada “greve branca” em penitenciárias da região de Araçatuba preocupa os agentes penitenciários. Os presos se recusam a sair para o banho de sol e a atender visitas dos próprios advogados e de oficiais de Justiça.

Para os agentes penitenciários, a greve branca pode ser um aviso da ocorrência iminente de uma megarrebelião e de ataques, como os ocorridos no ano passado, contra as forças de segurança do Estado. A reportagem apurou que ontem, na P2 de Lavínia, um agente penitenciário foi feito refém por cerca de meia hora, ameaçado com um caco de vidro no pescoço, sujo com sangue supostamente contaminado por HIV.

Os presos reivindicam o fim do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), a que os líderes das facções criminosas estão submetidos nas unidades de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau.

Ao contrário do regime das demais prisões, nos quais os detentos têm até oito horas de banho de sol por dia e mais oito horas de visita no final de semana, os presos do RDD ficam isolados em uma cela e têm o direito de ficar no pátio apenas duas horas por dia e ter duas horas de visita por semana.

São mantidos no regime diferenciado, os detentos com condutas disciplinares graves dentro dos presídios, como comandar rebeliões e fazer funcionários reféns.

Os presos também denunciam maus-tratos contra os detentos do RDD e seus familiares durante as visitas. Segundo os agentes penitenciários, os presos não fazem nenhuma outra reivindicação a não ser o pedido de que os “irmãos dos RDDs tenham a mesma dignidade que eles”.

Em junho do ano passado, os presos da Penitenciária 1 de Mirandópolis fizeram manifesto semelhante antes de desencadearem a rebelião que destruiu a unidade, ainda em reforma.

Para os agentes, a facção que atua dentro dos presídios procura mostrar que mantém a força mesmo com seus líderes isolados.

Segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), até ontem, o protesto iniciado na Quarta-feira de Cinzas tinha adesão de 80 prisões das 144 existentes do Estado. Na região, das 35 unidades prisionais da divisão Oeste, que abrange a área de Araçatuba, presos de 21 penitenciárias seguiam a greve.

O capitão da Polícia Militar Marcelo Gimenez, comandante do policiamento de sete cidades da região, inclusive dos municípios que abrigam as penitenciárias, afirmou ontem que todo o efetivo está em alerta para o caso de alguma emergência.

Em Presidente Venceslau, principalmente na P 2, onde estão recolhidos os principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), o policiamento foi reforçado pelo Batalhão de Força Matricial, formado por três pelotões de choque (18.º Batalhão de Presidente Prudente, 42.º de Presidente Venceslau e 25.º de Dracena).

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Protesto

A partir de segunda-feira, o sistema prisional do Estado pode enfrentar outro protesto a ser realizado pelos próprios funcionários das penitenciárias.

Segundo agentes das penitenciárias de Lavínia, faixas com os nomes dos 11 agentes e do diretor do presídio de Mauá, todos mortos em ataques comandados por facções, serão colocadas na entrada dos presídios.

Os funcionários disseram que vão trabalhar até o dia 4 de março com uma faixa preta amarrada ao braço em luto pelas mortes.

De acordo com os trabalhadores, o objetivo é fazer com que a comunidade conheça a situação de trabalho deles. “No dia-a-dia, recebemos ameaças de morte e de atentados contra a nossa família dentro dos presídios, e na rua ainda somos mal vistos por parte dos cidadãos que classificam a gente como um bando de corruptos que age em conjunto com os presos”, desabafou um agente, que preferiu não ser identificado.

Os funcionários alegam que a sociedade tem a categoria como a principal responsável pela entrada de armas, drogas e celulares nos presídios. “Em toda categoria existe o mau profissional, mas as pessoas estão generalizando e isso não é certo”, disse. Os dados mostram que as visitas ainda são as principais responsáveis pelo ingresso de objetos ilícitos nas cadeias.

Segundo ele, apenas na P 2 de Lavínia, no ano passado, foram recolhidos com visitantes aproximadamente 230 aparelhos telefônicos e cerca de 300 familiares foram barrados no detector de metais da unidade.