10 de julho de 2026
Política

Clemente critica denúncia contra Fio

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O depoimento do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende, à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura divulgação de material publicitário pela autarquia foi previsível, ontem. Ele disse aos parlamentares que não efetuou pagamento por matéria divulgada no Jornal Atalho, favorável à contrato firmado entre o DAE e os Correios em 2005, e que não indicou ninguém para patrocinar o custo da publicação. Mas o que chamou a atenção no depoimento foi que Clemente criticou a medida adotada pela administração municipal de processar o ex-secretário das Administrações Regionais (Sear), Nélson Fio, no caso de despesas irregulares na pasta.

A argumentação de Clemente Rezende em favor de Nélson Fio surgiu após pergunta que tratou sobre a existência do grupo que criou o Movimento Levanta Bauru. O depoente disse que conhecia o grupo, mas não participou dele, ao contrário de Fio, que foi um dos idealizadores. “Conheço o grupo Levanta Bauru, mas não participei. E conheço o Fio há quase 20 anos, de quem sou amigo. Não concordo com o que está sendo atribuído ao Fio”, disse Clemente na CEI.

Após ser ouvido pela comissão, o presidente do DAE complementou que achou injusto a inclusão do ex-secretário, pela Prefeitura de Bauru, na ação civil pública que aponta prática de improbidade administrativa na Sear, pasta comandada por Fio entre 2005 e 2006. “A prefeitura agiu corretamente em apurar os fatos e protocolar ação civil contra os envolvidos. Mas o Fio não participou das irregularidades e não deveria pagar pela sua simplicidade. A ação não deveria ter incluido ele no pólo. Se o Ministério Público depois entendesse como necessário, tudo bem. Mas não foi justo incluí-lo na ação pela prefeitura”, reclamou Clemente.

Na CEI, Clemente Rezende repetiu que quem deve explicar o patrocínio para a publicação de matéria pró-DAE no Jornal Atalho, em 2005, é a responsável pelo periódico, Maria Inês Ferreira. “Foi oferecido ao DAE matéria para divulgar os benefícios do contrato com os Correios e nós atendemos a todos os jornalistas. Nosso Jurídico orientou a jornalista no sentido das conseqüências positivas das medidas adotadas com o contrato de leitura e impressão das contas e o jornal publicou a matéria. Não indiquei ninguém para patrocinar nenhuma publicação e ninguém fala em meu nome. Sobre a declaração da jornalista, a comissão deve pedir explicações a ela”, argumentou.

O presidente do DAE também mencionou, por outro lado, que foi a jornalista Inês Ferreira quem fez a diagramação de seu material de campanha a vereador, em 2004. “O material de campanha foi ela quem diagramou e eu paguei. Mas contrato no DAE não existiu. O DAE pode fazer contrato com qualquer veículo, mas não fez com esse jornal”, disse.

Na próxima terça-feira, dia 27, os membros da CEI intimaram para depois os personagens que participaram da gravação da conversa que menciona a intermediação de Clemente em eventual patrocínio de matéria. A jornalista Inês Ferreira, o vice-prefeito Renato Purini, o ex-diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Jorge Monteiro, e o ex-secretário da Sear, Nélson Fio, estão intimados, além do funcionário do DAE, Antonio Carlos Yamashita.