08 de julho de 2026
Polícia

Agente diz que trabalha com medo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

O tom cortez e politizado demonstrado ontem pelo preso ouvido na matéria referente à “greve branca” deflagrada por detentos em 80 das 144 unidades prisionais do Estado de São Paulo não é o mesmo adotado no dia-a-dia dentro dos presídios. Quem garante é um agente penitenciário, que pediu para ter no nome preservado. De acordo com ele, as ameaças são constantes.

“Eles dizem que conhecem a nossa família e que têm gente do lado de fora. Já virou rotina. São ameaças de graça. Mas quando são requisitados por advogados, vêm como se fossem santos. São dissimulados”, diz o agente. O funcionário da penitenciária ainda informa que membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) coagem quem integra a facção criminosa e também quem não adere.

“Eu fico chateado porque o sindicato sabe (das ameaças) e não toma providências”, afirma. No entanto, segundo informações obtidas pelo Sindicato dos Servidores do Complexo Penitenciário Paulista, quando a entidade toma conhecimento de ocorrências dessa natureza, procura a diretoria da unidade para pedir solução.

Em situações consideradas mais graves, os sindicalistas reivindicam, inclusive, a transferência do preso - medida difícil de ser adotada em virtude das superlotação das unidades. Para a entidade, é a administração do presídio que não pode deixar a situação chegar neste ponto.

Para lidar com a situação, os agentes de segurança penitenciária, antes de assumirem suas funções, recebem o treinamento específico que o cargo requer, informa a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Apesar da insegurança, a função do agente não permite que ele porte arma no local de trabalho.