São Paulo - Armado com fuzis de guerra, pistolas e usando coletes da Polícia Federal, pelo menos oito criminosos enfrentaram a tiros, na manhã de ontem, um grupo de elite da Polícia Civil de São Paulo em frente ao estádio do Pacaembu (zona oeste de São Paulo). O intenso tiroteio provocou pânico em funcionários e clientes de uma feira livre, que funciona a menos de 50 metros do confronto, e entre torcedores do Corinthians que compravam ingressos no estádio.
“Trabalho aqui há 30 anos e nunca vi isso: pessoas correndo para escapar de tiros de fuzil”, disse Hiromi de Oliveira, dona de uma barraca de pastel. Um dos fuzis utilizados pelo grupo, calibre 7.62 mm, tem alcance superior a 3 mil metros.
Também foram encontradas cápsulas de munição calibre 556, utilizado em fuzis AR-15 e M-16, de uso exclusivo das Forças Armadas e que estavam em poder dos criminosos. A polícia portava apenas pistolas. Um dos tiros disparados atingiu um caminhão frigorífico, utilizado para transporte e venda de peixes, atravessou dois vidros e a lataria do veículo. Cerca de 200 pessoas estavam no local, incluindo a feira e a bilheteira do estádio, mas ninguém se feriu. “Parecia uma guerra”, afirmou a feirante Regina Rodrigues, 38 anos.
O confronto começou por volta das 10h30, quando dois policiais do Delegacia de Patrimônios do Departamento de Investigação do Crime Organizado (Deic) passavam pela feira e foram informados por populares da presença de pessoas supostamente armadas. Em princípio, segundo os policiais, eles acreditavam se tratar de colegas da Polícia Federal. Isso porque, além de utilizar roupas e coletes semelhantes, os criminosos disfarçados também ostentavam armas de forma despreocupada.
No momento em que o carro do Deic estacionou, os policiais descobriram que o grupo de bandidos era maior (pensavam que eram no máximo três), em três veículos, e foram recebidos a tiros.
Um criminoso foi ferido na perna esquerda, mas, assim como todos os outros integrantes do grupo, conseguiu escapar. Parte do grupo fugiu em dois veículos (num Classe A e num Marea) e restante fugiu a pé. Policiais que estavam no local disseram que os criminosos pertencem à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O Corsa, com o adesivo do Yin Yang (símbolo utilizado pelo PCC), foi abandonado no local. O Classe A foi abandonado poucos metros depois.
De acordo com a polícia, a suspeita é que o grupo se preparava para assaltar uma casa de câmbio ou uma das 12 agências bancárias que circundam o estádio. Os coletes da PF dariam acesso mais fácil aos criminosos. Outras hipótese é a do seqüestro de algum empresário.
Fuga
Na fuga, o criminoso ferido rendeu o taxista Antônio Gilberto, 48 anos, que acabava de chegar ao seu ponto, próximo ao estádio do Pacaembu. O fugitivo também rendeu um motociclista, conseguindo escapar dos policiais militares que deram apoio aos civis.
Até as 20h de ontem, a polícia não havia prendido ninguém. Santi disse, porém, que pelo menos um dos integrantes da quadrilha foi identificado e estava sendo procurado.