09 de julho de 2026
Internacional

Israel pode bombardear Irã, diz jornal

Folhapress
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Londres - Israel negocia com o Pentágono a autorização de sobrevoar o Iraque para bombardear instalações nucleares iranianas, informou a edição de ontem do jornal britânico “Daily Telegraph’’. O vice-ministro israelense da Defesa, Ephraim Sneh, desmentiu a existência da negociação.

Apesar disso, a hipótese de uma reação militar de Israel é plausível e funciona, no atual estágio de tensões, como uma pressão suplementar para que o Irã recue do projeto, jamais assumido publicamente, de produzir a bomba atômica.

O “Telegraph’’ comenta que os planos israelenses “se aceleraram de modo significativo’’, porque o Mossad, serviço de inteligência, concluiu que o Irã teria já em 2009 material físsil para detonar sua primeira ogiva. O cronograma é bem mais assustador que o admitido pela Agência Internacional de Energia Atômica, cujo diretor, Mohamed El Baradei, afirma que essa capacitação demoraria ainda de cinco a dez anos.

Segundo o jornal britânico, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, deu indicações indiretas de estar preparando alguma coisa. Adiou a aposentadoria de Meir Dagan, chefe do Mossad e especialista em Irã, e entregou a coordenação de uma possível resposta militar a Eliezer Shkedy, comandante da Força Aérea.

Há complicadores de peso, como o fato de o Irã ter recebido da Rússia mísseis solo-ar Tor M1, capazes de destruir caças-bombardeiros invasores. Israel bombardeou e destruiu, em 17 de junho de 1981, o canteiro de obras do reator iraquiano Osirak, com o qual o então ditador Saddam Hussein supostamente queria obter plutônio para sua bomba.

Em seu desmentido de ontem, o vice-ministro Sneh disse que alguns países ocidentais têm interesse em difundir a “versão fantasiosa’’ sobre os preparativos israelenses, para com isso, deu a entender, justificar a ineficiência da pressão sobre Teerã.

Os membros permanentes do Conselho de Segurança se reúnem amanhã em Londres - a Alemanha também participa do encontro - para estudar novas sanções contra a república islâmica. Em pauta, a suspensão dos créditos à exportação de US$ 25 bilhões dos países da União Européia. Esta semana o Irã descumpriu o prazo determinado pela ONU para interromper o enriquecimento de urânio.

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Estados Unidos

Washington - O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, afirmou ontem que os EUA e seus aliados não permitirão que o Irã se transforme em uma potência nuclear, mostrando-se preocupado com as ações de Teerã e sua “retórica inflamada”.

Os comentários de Cheney foram feitos após a recusa de Teerã em aceitar o prazo final estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para interromper o enriquecimento de urânio.

“Eles fizeram declamações muito inflamadas”, disse Cheney sobre o Irã a jornalistas em Sidney, ao lado do primeiro-ministro australiano, John Howard. “Parece que eles realmente querem desenvolver armas nucleares. Estamos muito preocupados e deixamos muito claro nosso posicionamento em relação às atividades do Irã”, afirmou. O Irã insiste que não produz armas nucleares.