09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Consumo excessivo pode ser doença

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Comprar, comprar e comprar. Tem gente que não faz outra coisa senão consumir. Não pode sobrar um tempinho livre que lá está a pessoa “perdida” no meio das lojas, gastando os preciosos trocados que recebeu por um mês de trabalho. Você não consegue passar uma semana sem fazer uma “comprinha”? É daqueles que mesmo não precisando de um determinado produto dá um jeito de adquiri-lo? Se você se enquadra nesse perfil, pode estar sofrendo de uma doença chamada oniomania. Na maioria das vezes, quem apresenta esse distúrbio não precisa do objeto cobiçado. É guiado simplesmente pelo impulso da compra. Não é o produto que lhe dá prazer, e sim o ato da compra.

Desta forma, o compulsivo deixa de ser um consumidor comum e torna-se um dependente. Segundo a psicóloga Marta Alice Nelli Bahia, pode ser uma doença psicológica movida pela ansiedade.

“Toda ansiedade gera uma alteração de comportamento e a pessoa busca uma forma de aliviar isso, muitas vezes de forma inconsciente. O consumo desenfreado é uma dessas formas”, diz a psicóloga.

Segundo ela, como todas as outras doenças, essa também tem tratamento. E para que o tratamento tenha sucesso, o mais importante é a pessoa ter consciência de sua dependência.

“Quando a pessoa tem consciência do que está se passando é mais fácil saber o que desencadeou o distúrbio e buscar o tratamento adequado”, afirma Marta Alice. Segundo ela, a compulsão pela compra geralmente mascara um problema que não está visível. “É importante saber o que está levando a pessoa a comprar tanto. Se é por necessidade daquele objeto ou para aliviar algo que a está incomodando internamente”, diz a psicóloga.

Segundo informações da Associação Americana de Psiquiatria, 1,1% da população mundial tem compulsão por comprar. No Brasil estima-se que 3% da população sofra com a doença.

Compulsão

Na maioria das vezes, quem tem compulsão por compras gasta com coisas das quais não tem necessidade. “Normalmente, são coisas supérfluas”, declara Marta Alice. Ela lembra que há casos em que a compra é uma válvula de escape para aliviar tensões. “Isso não é bom, não é saudável”, afirma.

“Já cheguei a comprar duas vezes a mesma coisa porque eu tinha esquecido de ter comprado na primeira vez”, relata a professora Suzi da Silva, 41 anos, consumidora compulsiva assumida. Nas férias de janeiro, ela aproveitou para colocar o guarda-roupa em ordem. Só na sessão de sapatos foram mais de 20 que ela separou para doar.

“Eu tenho sapato que nunca usei”, fala Suzi. O problema da faxina, segundo a professora, é que agora sobrou espaço no guarda-roupa por causa das peças que ela se desfez. “Vou acabar comprando alguma coisa para ocupar esse espaço vazio”, prevê ela.

Cosmético é algo que ela adora comprar. Sempre que passa em frente a alguma loja dá uma paradinha para comprar xampu, perfume e outros itens. Quando chega em casa, nota que existe uma sacola fechada da compra que fez da última vez que passou pela loja. “Para evitar que isso continue acontecendo, eu procuro não passar com tanta freqüência na frente da loja”, comenta. “Senão, no fim do mês ninguém agüenta.”

Por conta dessa gastança desenfreada, Suzi revela que, por várias vezes, já fez empréstimo bancário para pagar juros do cartão de crédito. “Com os cartões é muito fácil comprar. Não é preciso pagar na hora e ainda dá para parcelar.” Essa facilidade é uma armadilha para quem não tem controle de seus gastos. A solução encontrada pela professora foi deixar os cartões em casa.