Cortar o cartão de crédito e o cheque especial, abrir mão da Internet ou do carro novo e até desistir de uma viagem a passeio, são medidas que podem fazer a diferença para quem precisa reduzir custos e tirar a corda do pescoço.
Diminuir gastos não é tarefa fácil para ninguém, mas economistas e consultores financeiros afirmam que essa é a melhor forma de sair do vermelho e recuperar o crédito na praça.
“Quem estoura o orçamento exagera nos supérfluos. Isso é fato, portanto, precisa ser contido, custe o que custar”, ressalta o economista e professor Mauro Fernando Gallo.
Fazer uma análise da composição dos gastos é o primeiro passo, segundo ele, para tomar consciência da situação e começar a conter o déficit. Feito esse procedimento, é hora de começar os cortes.
“Quem tem hábito de comprar roupa todo mês precisa abandonar essa prática. Se possui financiamento de carro com parcelas altas, não vejo outra saída a não ser vendê-lo para adquirir outro, com mensalidade menor”, enfatiza.
O economista salienta que Internet, TV a cabo, celular e viagens também têm de ser descartados do orçamento. Porém, é preciso agir com bom senso, alerta ele. “Conheço muitos casos em que a pessoa tirou o filho da escola particular, mas continuou andando de carro novo. Isso não tem sentido”.
A desaceleração nos gastos também é válida para os cheques especiais e cartões de crédito. Transformar o saldo do cheque especial em empréstimo para liquidar dívidas é uma alternativa recomendada por Gallo.
“Os juros são 50% menores, sem falar na redução sensível dos gastos que se obtém”, acrescenta o economista.
Evitar o crédito do cheque especial também é orientação da administradora de empresas Gislaine Barbosa Zaneti, especialista em gestão financeira e controladoria. Segundo ela, optar por um empréstimo pessoal no banco é mais viável e barato. “A taxa de juros é bem menor que a do cheque especial. Varia de banco para banco, mas em média, fica 5% mais em conta”, completa.
A administradora sugere que o empréstimo seja parcelado em até seis vezes. Isso porque um prazo curto como este diminui a possibilidade do tomador não conseguir honrar o compromisso financeiro assumido.
Entretanto, para optar por essa alternativa, Zaneti salienta que é preciso estar preparado. “A pessoa tem que ter consciência de que terá de passar a gastar com base nas receitas que têm todo mês. Ela só vai conseguir pagar o empréstimo se não extrapolar no consumo”.
E para conseguir esse equilíbrio, a especialista orienta os devedores a abrir mão das regalias de fim de semana, como uma ida à pizzaria ou ao cinema. “A redução dos gastos é conquistada nas pequenas coisas”, completa.
De acordo com levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, divulgado em janeiro passado, cerca de 100 mil consumidores do município estão na lista de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
Status
A tentativa de manter as aparências é outro fator que contribui muito para o endividamento das pessoas, que acabam gastando mais do que podem. O economista e professor Adriano Fabri avalia que essa é uma situação muito comum hoje em dia. “Atualmente, os produtos são consumidos muito mais pelo que representam do que pelo quanto oferecem. Estamos numa época em que a imagem tem muita importância”, destaca.
Por conta disso, na visão do economista, muita gente acaba perdendo a credibilidade financeira e tendo o nome incluído na lista de inadimplência dos órgãos de proteção ao crédito.
“Muitas vezes, as pessoas compram o que não precisam com o dinheiro que não têm, só para se sobressair perante as demais. É pura perda de dinheiro e de energia”, acrescenta.
Para ele, no mundo moderno as pessoas são valorizadas muito mais pelo que consomem do que pelo que de fato são.
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Sintomas da falência
Gastar além do orçamento pode gerar graves conseqüências, entre elas a falência pessoal. Esse é o estágio em que o devedor perde a condição de pagar suas dívidas e, como resultado, tem o nome protestado e os bens executados.
De acordo com o economista e analista financeiro Reinaldo Cafeo, os sintomas dessa perda são facilmente identificados, porém, nem sempre são percebidos por quem vive a situação.
Quando o salário não é suficiente até o fim do mês, a pessoa usa todos os limites possíveis de crédito, faz empréstimos para cobrir outros, começa a pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito, atrasa compromissos importantes como água, luz, telefone, e acaba com o nome inserido nas listas de proteção ao crédito, não há como evitar a falência pessoal, informa o economista.
“É o momento em que o devedor não consegue enxergar um horizonte para se livrar das dívidas. Isso porque ele já esgotou as alternativas do sistema bancário, das financeiras, agiotas e até de familiares”, explica.
Nessa hora, Cafeo recomenda a procura de um advogado ou consultor financeiro para pôr a casa em ordem. “É preciso parar de fazer novas dívidas e listar os gastos para cortar as despesas supérfluas. Liquidar as dívidas menores também é uma boa opção”, orienta.
Buscar negociação das dívidas com os credores é outra medida que não pode ser descartada. “É necessária muita tranqüilidade para se chegar a um acordo benéfico para ambas as partes. Nunca se deve aceitar a primeira proposta. Tenha muita calma nesta hora”, ressalta.
Cafeo lembra ainda que a situação pede o abandono definitivo do uso do cartão de crédito e do cheque especial. Além de motivarem o consumidor a gastar, essas operações custam caro.