Os moradores do Núcleo Beija-Flor e parte do Mary Dota mal conseguiram desfrutar ontem do céu azul, que predominou durante o dia. O sol forte agravou a situação de pelo menos 1.500 pessoas que vivem na região e passaram o sábado sem água, sendo que o abastecimento foi suspenso já na manhã de sexta-feira.
A revolta era generalizada porque o problema tornou-se recorrente. Há 20 dias, residências de cinco bairros da zona norte -mesma área - ficaram com as torneiras secas porque a bomba do poço que abastece a região queimou, conforme o JC divulgou na ocasião. Desta vez, a distribuição foi interrompida para manutenção “programada” nos painéis elétricos do poço, segundo a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
“Acontece direto (a escassez). Tem dia que acaba pela manhã e volta à noite. Faltou até na véspera de Natal. A gente sempre reclama e ninguém toma providência”, comenta o professor Odair Qoyrai. Pai de quatro crianças, desde sexta-feira ninguém toma banho na casa dele. “As louças estão sujas e as moscas ficam em cima. Meu vizinho está com a oficina parada”, comenta.
Sem água, o mecânico Reinaldo César da Silva interrompeu suas atividades. Mas a queixa dele não é respaldada em virtude do prejuízo, mas pelo transtorno. “Agora já virou rotina faltar água no bairro. Antes faltava durante o dia e vinha à noite. Agora não. Fica todo mundo irritado com a situação. Mulher e marido até brigam”, afirma a auxiliar de enfermagem, Isabel dos Santos Moreira.
Caminhão-pipa
Isabel e os vizinhos, pelo menos, conseguiram um pouco de água ontem por intermédio de um caminhão-pipa do DAE, que esteve na rua Alexandre Jorge Nasralla. Outros dois circularam pelos núcleos Beija-Flor e Mary Dota, informa a assessoria de imprensa do DAE. Porém, nem todos os moradores foram atendidos.
“Eu liguei três ou quatro vezes para o DAE e nada (nenhum caminhão foi deslocado). Disseram que (a situação) só vai normalizar de madrugada”, reclama Célia Regina Lopes, moradora da quadra 2 da rua Gabino de Souza.
Ainda segundo a assessoria de imprensa, para minimizar o problema na região, foi feita ontem pela manhã uma interligação emergencial do Poço do Beija-Flor ao Mary Dota. A região concentra 16 mil habitantes de acordo com o DAE, sendo que 1.500 teriam sido afetados. Pelo cálculo dos moradores, o número de prejudicados seria muito maior.
A manutenção nos painéis do poço ainda seria reflexo da forte chuva registrada no início do ano, que danificou as bombas em virtude das descargas atmosféricas. Antes desta época, a assessoria de imprensa informou não ter registro de queixas de falta d’água.