08 de julho de 2026
Nacional

MST: fazendas permancecem invadidas

Folhapress
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Presidente Bernardes - Duas de dez fazendas invadidas no Pontal do Paranapanema (SP) desde domingo passado permanecem tomadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), apesar de José Rainha Jr. ter dito que elas seriam desocupadas, como forma de conseguir uma audiência com autoridades do governo do Estado. Famílias ligadas ao movimento liderado por Rainha mantinham barracos dentro das fazendas Guarani, em Presidente Bernardes (589 quilômetros a oeste de SP), e Beira-Rio, em Teodoro Sampaio (672 quilômetros a oeste de SP).

Líderes da invasão na fazenda Guarani disseram que permanecerão na propriedade para “evitar que outros movimentos entrem na área’’. Se isso acontecesse, avaliam os sem-terra acampados no local, perderiam a prioridade na seleção caso a fazenda seja transformada em assentamento. “Estamos guardando nosso lugar. Com a gente aqui ninguém mais entra”, disse Aparecida de Jesus Pereira, que se apresentou como responsável pelo acampamento.

Rainha, que aguarda reunião esta semana com representantes do governador José Serra (PSDB), ratificou a versão de Aparecida. “Nesses dois casos há questões localizadas e, diante disso, discutimos com os trabalhadores e prevaleceu a posição tomada por eles, que vivem a realidade dessas ocupações.” “Ali há uma particularidade. O proprietário quer negociar com o Estado, mas o arrendatário não quer. Ele está emperrando a entrega (da fazenda ao Estado). Por isso as famílias estão na área para não serem passadas para trás até pelo arrendatário”, disse o Rainha.

Ontem à tarde, o gerente da fazenda Guarani, Oscar Haruo, afirmou que advogados do arrendatário do imóvel, o empresário Nilson Riga Vitale, dono de um curtume em Presidente Prudente, devem pedir a reintegração de posse da área. Ele evitou falar sobre a declaração de Rainha. A reportagem não conseguiu falar com os donos da Beira-Rio.

As invasões dessas duas fazendas fazem parte de uma ação em parceria entre o MST de Rainha e sindicatos de trabalhadores rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que resultou em 14 invasões em uma semana no Pontal (dez) e no noroeste de São Paulo (quatro). A mais recente invasão, feita por 200 membros do MST e de sindicatos ligados à CUT, ocorreu na madrugada de anteontem, na fazenda Floresta, em Araçatuba (530 quilômetros a noroeste de SP).

O coordenador do MST Sérgio Pantaleão, um dos líderes da invasão, afirmou que outras 200 pessoas se juntaram às famílias do local ontem. Segundo ele, ontem haveria uma assembléia no acampamento para discutir “novas ações” . Durante a invasão, no sábado, Pantaleão disse que outras duas propriedades rurais vizinhas poderiam ser alvo do MST nos próximos dias.