08 de julho de 2026
Nacional

Cinco morrem em nova chacina em SP

Por Tharsila Prates | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Quatro homens, com idades entre 24 e 62 anos, e uma mulher de 20 anos grávida de três meses foram mortos a tiros, ontem, na favela Cidade Kennedy, em Mauá (ABC). Esta foi a segunda chacina do fim de semana e a sétima do ano na Grande São Paulo - quatro ocorridas apenas entre os dias 14 de janeiro e ontem. Em janeiro de 2006, a Capital não registrou nenhuma chacina. Um morador da favela ouviu os tiros por volta das 6h de ontem e chamou a Guarda Civil de Mauá.

Os guardas encontraram José Luiz Barbosa Torres, 26 anos, caído no quintal de uma casa da viela n.º 12. Pouco mais de 50 metros adiante, na viela de n.º 7, estavam os corpos de Vicente Jadson Alves de Sousa, 24 anos, que usava um capuz preto, e de Vital Barbosa da Silva, 62 anos. Segundo a polícia, Vital Silva, que não tinha antecedentes criminais, pode ter morrido tentando defender o filho Roberto Carlos Barbosa da Silva, 24 anos, também morto na chacina. A namorada de Roberto Silva, Audrey Cristiane Carreira Neto, 20 anos, também foi uma das vítimas e estava grávida de três meses.

O casal estava na casa da frente à de n.º 7. As três residências foram arrombadas e reviradas pelos autores da chacina. Ainda segundo a polícia, Vicente Sousa tinha passagem por porte de droga e havia sido condenado a três anos por tráfico de drogas. Por causa do capuz, a polícia desconfia que ele fazia parte do grupo que matou as vítimas. Não se sabe ainda por que ele acabou sendo morto também. Já Roberto Silva, segundo a polícia, estava sendo investigado por venda de drogas nas proximidades da favela. A família de José Luis Torres informou que ele estava envolvido com drogas.

Na casa de Vital Silva, pai de Roberto Silva, foram encontradas 56 cápsulas íntegras de revólver calibre 38. No quintal de uma das três casas, a polícia encontrou ainda 128 ampolas plásticas com cocaína e 237 invólucros de papel alumínio, também com cocaína. “Como as casas foram reviradas e arrombadas, é sinal de que os assassinos procuravam alguma coisa. Procuraram e não acharam e, por isso, resolveram matar, por vingança, os possíveis envolvidos com drogas e as testemunhas”, afirmou o delegado Marcelino Bedin, plantonista do 1.º Distrito Policial de Mauá.

Duas motos, com placas de Mauá e de Ribeirão Pires (Grande São Paulo), foram abandonadas próximo à favela onde ocorreu a chacina. A polícia agora vai investigar se as duas motos foram utilizadas no crime. Como nenhuma cápsula deflagrada foi encontrada no local, a polícia não soube informar qual foi a arma usada na chacina nem quantos disparos foram feitos.

Família

A família de José Luiz Barbosa Torres esteve ontem no 1º DP de Mauá (ABC), onde o caso foi registrado. Eles queriam saber como a vítima morreu, já que ela não morava na favela Cidade Kennedy. Torres deixou a mulher e dois filhos, de apenas 2 e 4 anos. Ele trabalhava como motorista da Empresa Urbana Santo André Ltda, mas foi demitido há uma semana.

Segundo a mulher, Torres saía de casa desde a última segunda, à noite, dizendo que iria fazer bicos de segurança. “Só que o dinheiro nunca chegava em casa”, disse a mulher, que preferiu não se identificar. Por isso, a família da vítima desconfia que Torres estava devendo dinheiro a traficantes e acabou sendo morto por este motivo. Todos estavam muito emocionados. Com o assassinato do marido, a mulher dele contou que vai se mudar da casa onde moram atualmente. “Eu só estou pensando nos meus filhos”, disse ela.

As famílias de outras três vítimas também estiveram na delegacia ontem, mas preferiram não falar. Sobre Vicente Jadson Alves de Sousa, 24 anos, encontrado morto usando um capuz, a polícia não tinha muitas informações. “Os outros eram parentes entre si ou conhecidos da família ou de vizinhos. Já o Vicente não sabemos, porque ninguém da família dele apareceu até agora”, afirmou o delegado plantonista Marcelino Bedin, do 1.º DP de Mauá.(TP)