O presidente estadual do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon), João Cláudio Robusti, visitou Bauru ontem com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre o aumento salarial obtido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Bauru no Tribunal Superior do Trabalho (TST) de Campinas, no início do mês. Para tentar reverter o aumento calculado em 6,01%, Robusti informa que o SindusCon entrou com medida jurídica no TST e também busca sensibilizar a sociedade sobre os problemas que o aumento pode acarretar.
Para o sindicato que representa os trabalhadores, o setor vai receber grande injeção de investimento com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e seria injustificável baixar os salários.
Em entrevista coletiva à imprensa, Robusti destacou que o SindusCon tenta reverter a decisão judicial. “Dois são os nossos objetivos. Nós já entramos com o agravo instrumental no TST para que ele se sensibilize e reveja a decisão que foi tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho. Outro é sensibilizar a sociedade como um todo para que ela se manifeste sobre esse assunto e entenda o nosso pleito”, observa o dirigente.
Com o aumento, os operários enquadrados como qualificados (pedreiros, encanadores e eletricistas) passaram a ganhar, no mínimo, R$ 763,40, enquanto o piso dos considerados não qualificados (auxiliares, ajudantes e serventes) passou a ser de R$ 620,40. Para Robusti, a manutenção desse reajuste pode causar grandes prejuízos. “Os trabalhadores podem, sabendo que isso poderá na realidade causar um efeito negativo, como desemprego, informalidade, diminuição da atividade econômica, rever essa posição junto com a gente, para que se chegue a um valor que seja real e que possa ser absorvido pela construção civil e pela sociedade como um todo”, pondera.
Outro ponto negativo apontado por Robusti é o aumento de quase 10% no custo final das obras. “No produto final da construção, numa escola, numa habitação, (o impacto gira) gira em torno de 9,43% no preço final. Essa não é margem que a empresa absorve. Portanto, teria que passar isso ao comprador. E não há possibilidade desse repasse. São contratos firmados e nas prefeituras não há dinheiro para esse repasse”, avalia.
Robusti avalia que a construção civil em Bauru não correspondeu ao aumento do setor verificado em todo o País. “De todas as regionais do SindusCon, Bauru foi a única que perdeu em termos de emprego. A cidade, se comparar dezembro de 2006 com dezembro de 2005, perdeu 5,5% dos trabalhadores. A região, 1,13%”, aponta Robusti.
Uma das visitas feitas por Robusti ontem foi ao Palácio das Cerejeiras. No encontro com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) e secretários municipais, ele destacou o aumento dos custos das obras. “A reunião teve como objetivo compartilhar a situação com o prefeito”, explica o secretário do Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio.
Empregados
Para Cláudio da Silva Gomes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, será difícil o SindusCon conseguir sensibilizar a sociedade. “A construção civil acabou de receber o anúncio de investimentos milionários com o PAC. O próprio setor calculou crescimento de 12% no ano. Você não pode sensibilizar sobre a redução salarial quando existe esse dinheiro aquecendo a economia”, avalia.
Sobre o recurso jurídico adotado pelo SindusCon no TST, Gomes se mantém otimista. “A decisão tomada foi unânime. O efeito suspensivo foi negado. Mas eles têm o direito de tentar”, afirma.